quinta-feira, 7 de março de 2013

PATRIA O MUERTE

Morreu Hugo Chavéz.
Muitos devem estar a rejubilar, sonhando com petróleo barato, ouro a rodos, "regresso" da democracia, etc.
Choram milhões de pobres e desfavorecidos, aqueles que reconhecem a luta travada por Chavéz.
Chavéz foi polémico? Foi!
Truculento? Sim!
Populista? Muitas vezes!
Incómodo e provocador? Claro! Abra-se um parentesis para recordar a sua intervenção na Assembleia Geral da ONU, a referir-se a George Bush ("...el diabo")

Mas, apesar de tudo, tentou tirar o seu país da miséria (em parte conseguido), da dependência externa, da sujeição a quem pensa que a América Latina é o seu quintal das traseiras.
À sua maneira, distinta, no entanto da do presidente brasileiro Lula da Silva, levantou a dignidade dos latino-americanos, como bem se constata na unanimidade das declarações dos seus pares, seja qual for a sua orientação ideológica (da Argentina ao Chile, da Bolívia à Colômbia, etc.).
Lula e Chavéz foram dois pilares da luta pela dignificação das Américas.
Para os distraídos, convirá lembrar que em 2005 a UNESCO considerou a Venezuela território livre de analfabetismo.
Aos que agora querem voltear sobre a Venezuela como abutres, é que seria pertinente dizer: "Porque no se callan?". O povo venezuelano já é adulto, dispensa tutores e troikas.
Leia-se o testemunho do escritor uruguaio Eduardo Galeano:

«Hugo Chávez es un demonio. ¿Por qué? Porque alfabetizó a 2 millones de venezolanos que no sabían leer ni escribir, aunque vivían en un país que tiene la riqueza natural más importante del mundo, que es el petróleo. Yo viví en ese país algunos años y conocí muy bien lo que era. La llaman la "Venezuela Saudita" por el petróleo. Tenían 2 millones de niños que no podían ir a las escuelas porque no tenían documentos. Ahí llegó un gobierno, ese gobierno diabólico, demoníaco, que hace cosas elementales, como decir "Los niños deben ser aceptados en las escuelas con o sin documentos". Y ahí se cayó el mundo: eso es una prueba de que Chávez es un malvado malvadísimo. Ya que tiene esa riqueza, y gracias a que por la guerra de Iraq el petróleo se cotiza muy alto, él quiere aprovechar eso con fines solidarios. Quiere ayudar a los países suramericanos, principalmente Cuba. Cuba manda médicos, él paga con petróleo. Pero esos médicos también fueron fuente de escándalos. Están diciendo que los médicos venezolanos estaban furiosos por la presencia de esos intrusos trabajando en esos barrios pobres. En la época en que yo vivía allá como corresponsal de Prensa Latina, nunca vi un médico. Ahora sí hay médicos. La presencia de los médicos cubanos es otra evidencia de que Chávez está en la Tierra de visita, porque pertenece al infierno. Entonces, cuando se lee las noticias, se debe traducir todo. El demonismo tiene ese origen, para justificar la máquina diabólica de la muerte.»


Eduardo Galeano, autor de "As Veias Abertas da América Latina"

Hugo Chavéz, acima de tudo, foi um patriota, um venezuelano pelos venezuelas!
E um internacionalista, pela América Latina!
Recorda-se uma entrevista, conduzida por Mário Soares, realizada há quatro anos.
Hasta siempre, comandante!



TERRA DA FRATERNIDADE

Dia 2 de Março.
Foram não sei quantos mil.
Mais que a 15 de Setembro?
Menos?
Essa matemática é irrelevante. Tal como o maior ou o menor silêncio.
É que há silêncios que são ensurdecedores.
O silêncio sofrido e doloroso dos mais de 930.000 desempregados.
O silêncio comovido e triste dos 200.000 novos emigrantes.
O silêncio frustrante de 40% da melhor geração deste país andar à deriva e sem perspectivas.
O silêncio envergonhado de quem conta cêntimos para comer ou comprar medicamentos menos caros.
Pior que tudo, o silêncio da ausência de qualquer Esperança, que é a última coisa que se pode roubar a um povo.
E, apesar de tudo, as centenas de milhares que encheram as praças e as ruas destes país, vieram gritar aos cegos, surdos e mudos que os desgovernam, que têm todo o direito a indignar-se e a voltar viver na Terra da Fraternidade
 

...SE VÃO DA LEI DA MORTE LIBERTANDO

E a cultura, essa "coisa" que nada vale para os camelos lourenços de serviço, perdeu dois grandes vultos nos últimos dias: 
EDUARDO NERY (1938/2013), artista plástico, fundamental para a compreensão da  estética contemporânea, e cujas obras podemos admirar todos os dias, às vezes sem darmos por isso, Para além das obras patentes do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, veja-se a estação do Metro do Campo Grande (azulejos, pavimentos, grades metálicas, organização cromática exterior), a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa no Monte da Caparica (pintura mural), a agência da CGD na Avenida da República, Lisboa (tapeçarias) e, também, o edifío-sede da CGD (mosaicos na entrada Sul), e quatro óculos na cúpula (vitrais).
A ver, e a rever.
Ficheiro:Eduardo Nery, Espaço Ilusório, 1969-70, tapeçaria, 176 x 292 cm.jpg



STÉPHANE HESSEL (1917/2013)
Resistente na 2ª guerra mundial contra os nazis, diplomata, embaixador, Hessel foi um dos responsáveis pela redacção da Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948).
No entanto, e mais perto de nós, Hessel salta para a ribalta quando, em 2010, publica o opúsculo "Indignez-vous!" ("Indignai-vos!"), em que critica acerbamente o cada vez maior fosso que se vai cavando entre ricos e pobres, e as políticas ultra-liberais e monetaristas que prevalecem na Europa, proclamando o direito dos povos à indignação. A sua obra inspirou, entre outros,  os movimentos Los Indignados (Espanha) e Occupy Wall Street (EUA).
Um nobre exemplo.
Stéphane Hessel, indignado.



quarta-feira, 6 de março de 2013

O PROGRAMA SEGUE DENTRO DE MOMENTOS...

Por dificuldades logísticas (o raio do material!), este BLOG esteve silencioso, (que não silenciado) durante uma semana.
Voltamos a estar no ar!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

AVANTI POPOLO!

Tal como sucedeu o ano passado com as eleições gregas, também agora, com o escrutínio italiano, apareceram os mesmos tiques de histerismo, desde os "mercados" (?) aos ilustres membros da comissão europeia e ministros alemães.
Tal como no caso grego, não faltará vontade para obrigar o povo italiano a novas eleições, não para votar nos seus representantes, mas naqueles que Bruxelas e o Reich julgam ser os seus representantes.
Isto é, o sagrado direito à livre escolha só é bom, se for no nosso país. Se for com os inúteis do Sul, só se servir os nossos interesses.
Ora o povo italiano escolheu livremente, mesmo descontando os fáceis demagogos (Berlusconi) ou os populistas (Beppe Grillo), com todos os potenciais riscos que tais posições podem gerar.
Mas a ninguém é lícito "recomendar" aos italianos, ou aos gregos, em quem deveriam ou deverão votar.
A Itália e a Grécia (e todos outros) pertencem aos respectivos povos, sem necessidade de tutores
Para os esquecidos, lembra-se apenas que:
-A Grécia deu-nos os pilares da democracia, da arte, da ciência, dos fundamentos civilizacionais em que assenta a nossa identidade europeia.
-A Itália (Roma), deu-nos os princípios da organização do estado, a primeira sistematização do direito, a primeira rede transeuropeia de transportes (as vias romanas).
A Alemanha, enfim, deu-nos duas guerras mundiais!
Avanti, popolo d'Italia

 
  

O AREIAS NÃO É UM CAMILO...

Na sequência da mensagem anterior, referente a Aquilino, é caso para dizer que se o senhor cujo vómito abaixo se reproduz, mandasse na altura, não havia Aquilino! Não havia agentes culturais, incluindo professores! José Mattoso, António Borges Coelho, António Hespanha, Armando Castro, tudo para a estiva! Desde quando é que precisamos de historiadores, investigadores, professores, escritores, actores, encenadores, cineastas? Quando ouvem falar de cultura, puxam logo pela folha de Excel. 
É o exemplo típico dos taliban opinativos que aparecem como cogumelos, vindos sabe-se lá de onde, mas com muito tempo de antena, acolitando Gaspar e Companhia. Este é dos (cada vez menos...) que ainda esfolam depois de Gaspar matar.
Ouvida a pérola que a seguir se reproduz, apetece dizer como o querido António Silva no "Pátio das Cantigas" : "Ó seu CAMELO!!!".

(aqui para nós, os camelos do deserto são mais elegantes, cultos e inteligentes!)

AQUILINO

 Começaram, na passada segunda-feira, os diversos eventos que comemoram o cinquentenário da morte de uma das grandes figuras da literatura e da cultura portuguesa, de sempre: Aquilino Ribeiro, falecido a 27 de Maio de 1963.
Nunca é demais pedir a atenção para a obre deste grande autor, de raízes fortemente beirãs, sugerindo-se uma visita (ou uma revisitação), a algumas das mais belas páginas escritas na nossa língua: "Terras do Demo", "Andam Faunos pelos Bosques", "O Homem que Matou o Diabo", "Volfrâmio", "Quando os Lobos Uivam", entre muitos outros trabalhos.
Em 1960, um grupo de escritores portugueses formalizou a sua candidatura ao Nobel de Literatura o que, como se sabe, não foi bem sucedido.
Aquando da sua morte, o regime salazarista proibiu qualquer referência detalhada à sua obra.
Esta, está ainda bem viva, para nossa alegria.