quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

BOB MARLEY

Hoje é feriado nacional na Jamaica.
Há 69 anos nascia, na ilha de Usain Bolt, o filho mais querido da pérola das Caraíbas: Bob Marley.
("No Woman, No Cry")
Bob foi cantor, guitarrista, compositor, figura ímpar e ícone do reggae.
Colocou a música da Jamaica, e o próprio país, no mapa do mundo.
É considerado o maior artista do 3º. Mundo, e a "Rolling Stone" classificou-o como o 11º. melhor cantor de sempre.
Cresceu e viveu numa favela, conheceu a pobreza e a humilhação, a juventude foi difícil.

 
("Get Up, Stand Up!")
Consequentemente, Marley sempre se debruçou, e cantou, os problemas dos pobres e oprimidos.  Defendeu as ideias de paz, irmandade, igualdade social, libertação, resistência, liberdade e amor. E contra qualquer herança de colonialismo ou neo-colonialismo, bebendo muito daquilo que era a teoria do chamado "movimento rastafári", nascido na sua Pátria.
Foi a voz que expôs e denunciou fracturas sociais e políticas, que defendeu os povos negros, na Jamaica e em África.
  
("I Shot The Sheriff")
Tornou-se referência musical e cultural do Terceiro Mundo. Respeitado e admirado pelos seus pares, como Paul McCartney, Mick Jagger ou Eric Clapton.
A sua casa na Jamaica era ponto de encontro para discussão de músicas e ideias e, não poucas vezes, distribuía dinheiro e comida por quem de tal necessitasse.
Em 1979 publicou o seu trabalho mais politizado, "Survival", dedicado aos problemas sociais e políticos de África. Foi censurado na África do Sul do apartheid.

 
("Africa Unite")
Foi este Homem que lutou pela Paz, pela Igualdade, pelo Amor, nos deixou a 11 de Janeiro de 1981, vítima de cancro.
Os humilhados do Terceiro Mundo levantam a sua bandeira.
  
("One Love")

"As pessoas que fazem de tudo para piorar o mundo não descansam. Porque eu, que quero melhorar  o mundo tenho de descansar?" (frase de Bob Marley, num concerto, após ter sido alvejado a tiro, dias antes, durante uma campanha eleitoral na Jamaica)

 
("Redemption Song")




FRANÇOIS TRUFFAUT

Nasceu em Paris há 82 anos. Morreu aos 52, consequência de um tumor cerebral.
De seu nome François Truffaut
Foi rejeitado pelos pais, pequeno delinquente, estudante sofrível, rebelde, cineclubista, jornalista, crítico de cinema, argumentista, actor, produtor, realizador.
Influenciou, marcadamente, uma nova geração de cineastas americanos, como Steven Spielberg, Quentin Tarantino, Brian de Palma ou Martin Scorcese.
Com os seus colegas dos míticos "Cahiers du Cinéma" (desde 1951), defendeu uma nova forma de abordar o cinema, libertando-o da pressão dos estúdios e produtores, realçando que um filme, tal como um livro ou uma canção, é a obra do seu criador, do seu realizador, dando como exemplo a obra de Alfred Hitchcock, e que o novo cinema deve reflectir a realidade social e não a pura estética.
E do grupo dos "Cahiers" saem os autores como Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, Eric Rohmer, Jacques Rivette, entre outros que, a partir dos anos 50, designadamente 1959, revolucionam o cinema com a chamada "Nouvelle Vague".
1959 vê "O Acossado", de Godard, para o qual Truffaut escreveu o argumento, e o seu "Os 400 Golpes", com o qual ganharia o prémio de Melhor Realizador em Cannes.
Filma, apaixonadamente, a paixão, as mulheres, os traumas de infância e juventude, a tirania e a coragem.
E inunda-nos com obras-primas como Disparem sobre o Pianista", "Jules e Jim", de 1962, considerado um marco da Nova Vaga, "Fahrenheit 451" ("Grau de Destruição"), de 1966, baseado num conto de Ray Bradbury, no qual um poder totalitário domina o mundo, os livros são banidos, e os mesmos são conservados na memória de alguns resistentes, que os decoram.
Truffaut chegou a ser considerada hipótese para dirigir o já clássico "Bonnie & Clyde", de 1967, o que não se chegou a concretizar.
Em 1974 recebe o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro para "A Noite Americana", filme que também receberia igual distinção nos BAFTA, a par de Melhor Realizador, e Melhor Actriz Secundária (Valentina Cortese).  
Ainda nos brindaria com, além do mais, "A História de Adèle H.", de 1975, "A Idade da Inocência", de 1976, e "O Último Metro", de 1980, uma história passada durante a ocupação nazi.
Não esquecendo, claro, que o vimos como actor, num tributo ao "discípulo" Spielberg, no inesquecível "Encontros Imediatos do Terceiro Grau", de 1977.
François Truffaut foi outro dos que transformaram o cinema em Cinema.
 
(Imagens da rodagem de "A Noite Americana" - Le Cinéma Régne!)
 
 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

CHAPLIN

 
Fez no passado dia 2 de Fevereiro 100 anos!
O primeiro filme de Charlie Chaplin, "Making a Living", foi oficialmente lançado.
E, nesse dia, o nosso pequeno planeta ficou muito maior e, apesar de tudo, muito melhor.
Quanto mais não fosse, por um tímido e límpido sorriso...
 
(A belissima e intensa cena final de "Tempos Modernos" - música "Smile", também de Chaplin)

 

ALMEIDA GARRETT

 
Nasceu a 4 de Fevereiro de 1799 no Porto.
Foi escritor, dramaturgo, jornalista, político, par do reino.
Figura cimeira do romantismo, Almeida Garrett é pessoa de cujas obras se recomenda a leitura.
Isto para não falar do seu empenho político, fervoroso adepto do Liberalismo contra o Absolutismo do Antigo Regime, admirador de Shakespeare, Walter Scott, o escritor do nacionalismo escocês, de Goethe e de Schiller. Foi embaixador, ministro e Secretário do Reino.
Entre outras "pequenas" coisas, foi o principal responsável pela criação do Conservatório de Arte Dramática (actual Conservatório Nacional), da Inspecção Geral dos Teatros, do Panteão Nacional (de acordo com o ideário da Revolução Francesa) e do Teatro Normal (actual D.Maria II), onde procurou revitalizar a arte dramática, recuperando obras desde os tempos de Gil Vicente.
Escreveu poemas como "Camões", "D.Branca" ou "Folhas Caídas", romances como "O Arco de Sant'Ana", ou peças de teatro como "Um Auto de Gil Vicente", "O Alfageme de Santarém" ou "Frei Luís de Sousa".
Garrett foi, também, um precursor na chamada literatura de viagens, com o fundamental "Viagens na Minha Terra", que começou a publicar, em 1843, na "Revista Universal Lisbonense", e que saiu em livro em 1846. Ultrapassando a mera descrição turística, o livro contém, também, uma trama novelesca, que liberta a linguagem da tradição clássica e projecta a literatura do futuro, e os ideais do liberalismo e do romantismo.
Numa altura em que os "livros de aeroporto" pululam como cogumelos, porque não ler um pouco do muito que tem Garrett para nos oferecer.
E reflectir, tal com o ele o fez nas "Viagens da Minha Terra":
"Não: plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, macadamizai estradas, fazeis caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar a miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico? - Que lho digam no Parlamento inglês, onde, depois de tantas comissões de inquérito, já devia andar orçado o número de almas que é preciso vender ao diabo, número de corpos que se tem de entregar antes do tempo ao cemitério para fazer um tecelão rico e fidalgo como Sir Robert Peel, um mineiro, um banqueiro, um granjeeiro, seja o que for: cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis."

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

DIAS

 
Mais do que a viagem do Gama à Índia.
Mais do que o "achamento" do Brasil por Cabral.
Muito mais que o passeio de Colombo às "Índias".
Ou a circum-navegação de Magalhães.
Sequer Armstrong na Lua.
A 3 de Fevereiro de 1488 o Mundo entrava na  Era Moderna.
Bartolomeu Dias dobrava o Cabo da Boa Esperança e desembarcava na actual Mossel Bay (África do Sul).
Naquela época foi, de facto, "um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a Humanidade".

sábado, 1 de fevereiro de 2014

JOHN FORD

 
Nasceu há 120 anos, no estado do Maine.
Chamava-se John Ford, e apetece dizer que, sem ele, a América não teria um dos seus mais divulgados produtos cinematográficos e culturais: o "western".
Ford e o seu actor de eleição, John Wayne, foram os grandes intérpretes desse retrato da epopeia americana, por muitas reticências que se possam colocar à narrativa, como sói dizer-se.
Mas é impossível ficar indiferente a obras como "Stagecoach" (1939, onde Wayne se revelaria), "Young Mr.Lincoln" (1939), "The Grapes of Wrath" (1940), "How Green was my valley" (1941), "Rio Grande" (1950), "The Quiet Man" (1952), "The Searchers" (1956) ou o fabuloso "The Man Who Shot Liberty Valance" (1962), um dos filmes das vidas de muita gente.
John Ford merece que o visitem ou revisitem.
Foi um dos que fizeram do cinema a 7ª. Arte.

 
(Trailer de "The Man Who Shot Liberty Valance")

RUGBY: AÍ ESTÁ O 6 NAÇÕES!

 
O rugby é, nesta modesta opinião, o melhor desporto do Mundo.
É duro, mas leal. Os jogadores caem, mas levantam-se, não protagonizam espectáculos tristes.
Exige grande preparação física, mas também velocidade, inteligência, visão de conjunto e decisões instantâneas.
Tem regras bem desenhadas, os árbitros são sempre respeitados, até existe um juiz para julgar lances duvidosos com recurso ao vídeo e à câmara lenta. Não há hipóteses de "máfias" controleiras.
Os praticantes respeitam-se e respeitam o adversário. E respeitam o público, entregando-se ao jogo a 100%, e do primeiro ao último minuto.
E o público respeita o jogo, os jogadores e os árbitros.
Assistir a um jogo em, por exemplo, Twickenham (Londres) é muito mais do que "ir à bola".
O rugby é único.
Por alguma razão se diz que o futebol é um jogo de cavalheiros praticado por rufias, e o rugby é um jogo de rufias praticado por cavalheiros.
O Campeonato de Mundo de Rugby é, neste momento, a terceira manifestação desportiva mais vista na TV, ultrapassado apenas pelos Jogos Olímpicos e pelo Campeonato do Mundo de Futebol.
 O que muito se deve a um Homem também único, chamado Nelson Mandela que, inteligentemente, soube utilizar o rugby para unir uma Nação.
E o grande rugby começa este fim-de-semana com a edição  120 do Torneio das 6 Nações, que reúne, no mais antigo torneio desportivo do mundo (iniciado em 1883, interrompido durante as guerras mundiais), as selecções da Escócia, França (desde 1910, ausente entre 1931 e 1939, reintegrada em 1947), Inglaterra, Irlanda, Itália (desde 2000) e País de Gales.
Tendo em atenção os jogos de 2013, a vitoriosa digressão dos Lions à Austrália, vamos tentar uma aposta, e acreditar que, neste ano de 2014, vamos assistir à terceira vitória consecutiva (até com Grand Slam - 5 vitórias) do País de Gales.
Até por um especial carinho para com esta selecção, que terá dado ao mundo o melhor jogador de rugby de sempre: o inesquecível nº. 9, Gareth Edwards.