quinta-feira, 23 de julho de 2015

VENDER A BANHA DA COBRA!

 
Sua Excelência abriu a boca e falou.
E marcou eleições.
Para 4 de Outubro.
E, como é de sua natureza, gastou mais dez minutos a abrir a boca.
A debitar baboseira...
Mas cuidado!
É que na Europa, 23 dos 28 da "União" são governados por maiorias.
Maiorias que resultam de coligações...
E qual é a ÚNICA coligação que se apresenta a eleições?
PSD/CDS.
Pois...
E até na longínqua Finlândia há uma coligação.
E de três-partidos-três!
E porque não cá?
PS/PSD/CDS...
Pois...
Que Sua Excelência só quer maiorias absolutas.
Estáveis.
Continuar a tarefa.
Pois.....
Isto não foi o anúncio de uma data de eleições.
Foi o início da campanha eleitoral.
Foi pura propaganda da coligação governamental.
E na sede da Presidência da República!
A oposição continua com vénias e salamaleques?

(Sérgio Godinho - "O Charlatão")

segunda-feira, 13 de julho de 2015

A NAVE DOS LOUCOS!

Segundo parece, da reunião desta madrugada em Bruxelas saíram todos contentinhos.
A "Europa" por ter humilhado a Grécia.
A Grécia por ter de suportar um pacote de austeridade muito maior do que o que estava na mesa antes do referendo de 5 de Julho.
No fundo, vingou a tese hegemónica da Alemanha que nunca suportou o facto de um súbdito, perdão, um país europeu ter eleito um governo que punha em causa a arquitectura europeia e a do euro.
E desenganem-se os espíritos crédulos.
Isto não ficará por aqui, pelo menos enquanto o actual governo estiver no poder em Atenas.
O seu derrube é o fito do IV Reich.
E voltem a desenganar-se os mesmos espíritos simples e cheios de boa vontade.
A Europa da coesão, da solidariedade, da entre-ajuda, sonhada pelos seus fundadores após o segundo conflito mundial, já não existe.
Começou a ser destruída em 1992 com o Tratado de Maastricht.
Foi ontem a enterrar.
E os bárbaros cercam as muralhas...


UMA HISTÓRIA GREGA...

 
Lembras-te, Leónidas, insigne Rei de Esparta?
Lembras-te quando um exército estrangeiro quis invadir a tua sagrada Pátria grega?
Xerxes, arrogante, do alto do seu trono de ouro, comandava centenas de milhares de persas que, imaginava ele, iriam submeter Atenas, Esparta, Tebas, todas as cidades-estado helénicas ao jugo do seu Império aqueménida, e obrigá-las a serem humiçlhadas.
Então Leónidas, com os teus 300 espartanos e mais uns milhares de outros gregos, decidiste, em conjunto com o teu general Temístocles, travar o passo ao inimigo no desfiladeiro das Termópilas.
Disseste adeus à tua amantíssima mulher Gorgó, ao teu filho e herdeiroe Plistarco, e rumaste àquele lugar lá para a Tessália e Fócia.
Aí, irias travar as poderosas forças de Xerxes, o implacável invasor, com os poucos meios que tinhas.
Só a vontade indómita de honrar a tua Pátria e de não a ver de joelhos.
E defendeste a Grécia como poucos, e com poucos. Quando Xerxes te disse que iria tapar o sol com as suas setas, respondeste que assim era melhor, já que lutavas à sombra. E quando disse para depores as armas, gritaste "Venham buscá-las!".
Mas, Leónidas, bem sabes que nestas coisas da guerra há sempre traidores, lacaios servis, sabujos lambe-botas. Na guerra como em tudo, bom rei de Esparta.
E um tal de Efialtes, dito pastor, talvez de ovelhas arrebanhadas e mansas, insinuou-se junto de Xerxes, por ser o poderoso e invencível, pensava ele, e ensinou-lhe uma passagem que iria apanhar o teu exército pelas costas.
Então, mandaste os outros retirar para a defesa de Atenas, e ficaste com os teus espartanos, para, juntos, infligir o maior número de perdas ao inimigo e, como disseste aos teus fiéis soldados, almoçarem ali contigo e jantarem no inferno.
Não triunfaste, foram todos passados pelas armas persas.
Mas, com o teu sacrifício, e dos teus, deste a hipótese de a Grécia sobreviver.
E, como não soubeste, mas aqui fica escrito para leres, os teus compatriotas desbarataram o inimigo em Salamina, e infligiram o golpe de misericórdia um ano depois, em Plateias.
Xerxes desistiu de conquistar a Grécia .
Nem o trono de ouro lhe valeu.
Nem uma cadeira.
Ou um simples banco.
E muito menos uma cadeira de rodas....

sexta-feira, 10 de julho de 2015

A HORA MAIS BELA! (their finest hour!-Churchill)

(excerto de um discurso de Winston Churchill, após a vitória da RAF)

A Grã-Bretanha comemora, hoje, o 75º. aniversário do início daquela que foi conhecida por Batalha de Inglaterra e que, então, o indómito povo britânico venceu, marcando o início do declínio da máquina de guerra de Hitler, que Estalinegrado, El-Alamein ou a Normandia confirmariam.
Há 75 anos, um povo inteiro, com escassos recursos, recebendo intermitentes abastecimentos dos Estados Unidos, fez frente, chorando sangue, suor e lágrimas à então invencível e arrogante Alemanha, com meios militares e humanos muito superiores, mas que foi derrotada.
Recordar a História, e momentos como este, talvez nos acorde do torpor e nos alimente alguma esperança... 




  

A BESTA NEGRA

 
"Ofereci ao meu amigo Jack Lew -secretário de Estado do Tesouro dos EUA-, por estes dias, uma troca: trazíamos Porto Rico para a zona euro e, se os Estados Unidos quiserem, levam a Grécia para a união do dólar." - Wolfgang Schauble, perante o espanto do seu interlocutor que julgou que se tratava de uma anedota.
Assim!
Sem mais nem menos!
Como qualquer gauleiter nazi em território ocupado.
Qual povo grego, qual povo porto-riquenho!
Para gente como esta só os números contam.
As folhas de Excel.
As percentagens.
Os modelos econométricos.
O vazio.
E é gente desta que tem o destino da Europa nas mãos...
Como se estivesse, já, no contar das espingardas e na conquista do espaço vital.
Esmagando os sub-humanos do Sul da Europa ou das Caraíbas.
Ai dos vencidos...
 
 
 
 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

E AGORA, eUROPA?

E agora Europa?
Agora que um povo, soberano, corajoso, vertical, legitimado por mais de 2.000 anos de História, exerceu o seu direito de opinião e votou, 61%, na recusa da chantagem de burocratas que nunca foram eleitos.
Como a Comissão Europeia.
Como o Conselho Europeu.
Como o Eurogrupo.
Como o directório do FMI.
E agora, gente medíocre, sem visão, que estão, infelizmente para todos nós, à frente dos destinos daquilo que se chama "União" Europeia?
E agora, vão V.Exªs. ignorar o sentido de voto grego, continuar com as vias tortuosas, com a ausência de diálogo, com as políticas de terror, de asfixia económica e financeira, acolitados por pequenos deuses caseiros que mais não fazem que salivar e abanar a cauda à voz dos donos?
E, já agora, membros do grupo excursionista que dá pelo nome de Internacional "Socialista", vão continuar na senda da capitulação, da rendição, da renúncia aos ideais que deu origem à vossa matriz?
E, numa cegueira suicida, vai toda esta gente continuar a ignorar os princípios fundadores da Europa, entre os quais os de coesão e solidariedade?
No fundo, bem no fundo obrigado luminosa Pátria grega!
Talvez agora, talvez, o nome Europa possa vir a ter algum significado.
Para os povos da Europa, claro.

 
FOI NO MAR QUE APRENDI

Foi no mar que aprendi o gosto da forma bela

Ao olhar sem fim o sucessivo

Inchar e desabar da vaga

A bela curva luzidia do seu dorso

O longo espraiar das mãos de espuma

Por isso nos museus da Grécia antiga

Olhando estátuas frisos e colunas

Sempre me aclaro mais leve e mais viva

E respiro melhor como na praia
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
 


quinta-feira, 2 de julho de 2015

BARBÁRIE EM DIRECTO, AO VIVO E A CORES!

Um gato queimado vivo, perante a alarve boçalidade "popular", numa qualquer aldeia deste país, porque é "tradição".
Um cão enforcado pelo dono, porque sim.
Animais domésticos abandonados na rua porque os donos vão para Punta Cana ou para a Tunísia (oxalá...).
Cães e gatos violentamente maltratados para esconder impotências físicas e/ou mentais ou outra<s disfunções.
Tudo isto se passa agora, aqui, num país onde até já existe legislação que pune quem maltrate animais domésticos ou de companhia.
Mas que, por influências espúrias, excluiu as touradas.
Talvez por isso, pressurosa, hoje, a RTP, serviço público de televisão, vai transmitir em directo a sua 51ª. (!) corrida.
Num horário em que as crianças podem assistir, numa altura em que a ONU e outras organizações defendem que as mesmas não devem assistir a espectáculos desta violência.
E num ano em que a tauromaquia deixou de ser património cultural da França.
França que, na sua legislação, reconhece a sensibilidade e a consciência dos animais.
Aqui não, qual quê!
Em nome da "tradição" (qual?), da "cultura" (como???), do gosto "popular" (o mesmo dos Big Brothers...), uma estação que pertence a todos nós, exibe, orgulhosamente, um espectáculo bárbaro de tortura de seres vivos, para gáudio de brutamontes inúteis, acéfalos e cobardes.
E, trazendo essas imagens até nossas casas, não se admirem dos tais cães e gatos torturados.
Alguns dirão que "quem não goste, mude de canal".
Tapa-se a árvore para não ver a floresta.
A questão é civilizacional, é de mentalidade, é de verdadeira cultura.
Neste país, tal como já sucede em muitos outros, desde a Espanha e França à América Latina é imperioso, urgentemente, banir para sempre as touradas e tudo o que representam.
A "Festa Brava" é, definitivamente, um resquício de tempos negros, lastro do passado.
E se querem "Tourada", fiquem-se com esta, que é muito superior.
A música é do Fernando Tordo, o poema (genial!) é de José Carlos Ary dos Santos.