terça-feira, 24 de setembro de 2013

ANTÓNIO RAMOS ROSA

 
Quase todos os dias viamo-lo sentado à mesa do café "Cosco", ali na esquina da Barbosa du Bocage com a Rua do Arco do Cego, frente à Culturgest e à CGD, pequeno, olhos sorridentes e vivos atrás dos óculos, farta cabeleira e barba brancas, dedos finos, amarelecidos pela nicotina, cigarro poético entre eles.
A bica, o copo de água, uma conversa aqui, uma entrevista acolá. Talvez muitos não o reconhecessem.
Deixou-nos ontem e chamava-se António Ramos Rosa, um dos maiores poetas deste país.
Nascido em Faro em 17/10/1924, começou a ganhar a vida como explicador, tendo publicado em 1958 o seu primeiro livro, "O Grito Claro". Nesse ano, ainda em Faro, foi fundador da revista "Cadernos do Meio Dia", que a zelosa censura viria a proibir em 1960. Refira-se, porque o poeta também é cidadão que, após a II Guerra Mundial, colaborou activamente no MUD Juvenil, movimento de oposição à ditadura salazarista
Aportou a Lisboa em 1962, enfronhando-se nas lides de tradutor, ao mesmo tempo que colaborava em revistas como "O Tempo e o Modo", "Seara Nova", "Vértice" e "Colóquio/Letras", enchendo também as páginas dos suplementos literários do "Diário de Notícias", "A Capital", "Jornal de Letras", entre outros.
Entre outras obras, publicou dois ensaios que influenciaram gerações de leitores, como "Poesia, Liberdade Livre" (1962) e "A Poesia Moderna e a Interrogação do Real" (1979).
Poeta, ensaísta, crítico, publicou dezenas de livros entre 1958 (" O Grito Claro") e 2012 ("Em Torno do Imponderável").
Também lhe coube a tarefa de organizar uma importante antologia de poetas portugueses (a última série de "Líricas Portuguesas". 
A sua qualidade poética valeu-lhe, entre outros, o Prémio Pessoa em 1988, para além de galardões nacionais e internacionais pela sua obra, incluindo a tradução.
Todo o seu espólio literário tinha, entretanto, sido doado à Biblioteca Municipal de Faro, que tomou o seu nome.
Recomenda-se a leitura da poesia deste grande autor, deixando-se aqui um pequeno aperitivo.
      Poema dum funcionário cansado

      A noite trocou-me os sonhos e as mãos
      dispersou-me os amigos
      tenho o coração confundido e a rua é estreita
      estreita em cada passo
      as casas engolem-nos
      sumimo-nos
      estou num quarto só num quarto só
      com os sonhos trocados
      com toda a vida às avessas a arder num quarto só
      Sou um funcionário apagado
      um funcionário triste
      a minha alma não acompanha a minha mão
      Débito e Crédito Débito e Crédito
      a minha alma não dança com os números
      tento escondê-la envergonhado
      o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
      e debitou-me na minha conta de empregado
      Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
      Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
      Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
      Soletro velhas palavras generosas
      Flor rapariga amigo menino
      irmão beijo namorada
      mãe estrela música
      São as palavras cruzadas do meu sonho
      palavras soterradas na prisão da minha vida
      isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
      num quarto só
       
      ou, então,

Estou vivo e escrevo sol





Eu escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em frios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol

Se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam
no vazio fresco
é porque aboli todas as mentiras
e não sou mais que este momento puro
a coincidência perfeita
no acto de escrever sol

A vertigem única da verdade em riste
a nulidade de todas as próximas paragens
navego para o cimo
tombo na claridade simples
e os objectos atiram as suas faces
e na minha língua o sol trepida

melhor que beber vinho é mais claro
ser no olhar o próprio olhar
a maravilha é este espaço aberto
a rua
um grito
a grande toalha do silêncio verde
       

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

BRUCE e LEONARD

Nestes dias de chumbo, quando se pensa que já recebemos todas as más notícias, e logo outra aparece, há dias, como o de hoje em que, felizmente, ainda temos a possibilidade de respirar um pouco e ouvir música.
Música daqueles que ainda têm algo de belo e inteligente a transmitir-nos.
Para além da música, leiam-se os poemas.
Hoje é dia de dar parabéns a Leonard Cohen (79 anos a 21/09) e a Bruce Springsteen (64 anos, hoje).
Dois grandes trovadores dos nossos tempos.
 
BORN IN THE USA
Born down in a dead man town
The first kick I took was when I hit the ground
You end up like a dog that's been beat too much
Till you spend half your life just covering up
Born in the u.s.a., I was born in the u.s.a.
I was born in the u.s.a., born in the u.s.a.
Got in a little hometown jam
So they put a rifle in my hand
Sent me off to a foreign land
To go and kill the yellow man
Born in the U.S.A...
Come back home to the refinery
Hiring man said son if it was up to me
Went down to see my v.a. man
He said son, don't you understand
I had a brother at Khe Sahn
Fighting off the Viet Cong
They're still there, he's all gone
He had a woman he loved in Saigon
I got a picture of him in her arms now
Down in the shadow of the penitentiary
Out by the gas fires of the refinery
I'm ten years burning down the road
Nowhere to run aint got nowhere to go
Born in the u.s.a., I was born in the u.s.a.
Born in the u.s.a., I'm a long gone daddy in the u.s.a.
Born in the u.s.a., born in the u.s.a.
Born in the u.s.a., I'm a cool rocking daddy in the u.s.a.
 
 
HALLELUJAH!

I heard there was a secret chord
That David played and it pleased the Lord
But you don't really care for music do ya
Well it goes like this the fourth the fifth
The minor fall and the major lift
The baffled king composing hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
Well your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew ya
She tied you to her kitchen chair
She broke your throne and she cut your hair
And from your lips she drew the hallelujah.
Hallelujah,hallelujah, hallelujah, hallelujah
Baby I've been here before
I've seen this room and I've walked this floor
You know, I used to live alone before I knew ya
And I've seen your flag on the marble arch
And love is not a victory march
It's a cold and it's a broken hallelujah
Hallelujah,hallelujah, hallelujah, hallelujah
Well there was a time when you let me know
What's really going on below
But now you never show that to me do you
But remember when I moved in you
And the holy dove was moving too
And every breath we drew was hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
Well maybe there's a god above
But all I've ever learned from love
Was how to shoot somebody who outdrew ya
And it's not a cry that you hear at night
It's not somebody who's seen the light
It's a cold and it's a broken hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
Hallelujah

Vale a pena, apesar de tudo, ter esperança
 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

IT'S THE ENGLISH, STUPID!

 
(Alguém me diga o que está escrito ali atrás...por favor!)

D.Nuno, Pior do Crato, decidiu que as aulas de inglês, no 1º. ciclo, integradas nas Actividades de Enriquecimento Cultural, deixassem de ser obrigatórias, como se verificava desde 2006.
Cabe às escolas, agora, decidir "em liberdade", como será gerida essa cadeira.
A "liberdade" concedida a quem tem escassez de professores.
A "liberdade" de algumas escolas públicas não terem condições para decidir.
A "liberdade" de optar pelo ensino privado. Lá está o cheque-ensino a pagar a "liberdade", a "escolha", a "equidade".
E a batota, claro! 
Talvez D.Nuno, Pior do Crato, pense que o inglês é assim uma curiosidade como o esperanto, criado em 1887 por Zamenhof, com o intuito de ser uma língua aglutinante, o que, pese embora os méritos que posa ter, nunca se tornou realidade.
O vertiginoso desenvolvimento das comunicações e da tecnologia, nomeadamente após a II Guerra Mundial, e a crescente influência global dos Estados Unidos, vieram expandir e tornar familiar e indispensável uma língua hoje, de facto, aglutinante: o inglês.
Não há um único aspecto da nossa vida no dia a dia em que não se recorra à língua de Shakespeare e Steinbeck, ou aos seus múltiplos anglicismos: stand-by, bit, logon, paste, yes, rock and roll, briefing (esta o Crato deve conhecer...), refresh, copyright, front office, outsourcing, etc.
Todas as comunicações, entre o solo e os aviões são, de há muitos anos a esta parte, exclusivamente trocadas em inglês.
As novas tecnologias, sem as quais quase não podemos viver, e que são cada vez mais responsáveis pela criação de postos de trabalho, exigem o domínio da língua inglesa.
Mais do que um enriquecimento curricular, o domínio do inglês é, hoje, uma necessidade.
E vem D. Crato, Pior do Nuno, cortá-lo. E, com isso, cortar asas.
E com o argumento, cínico, de "valorizar o ensino da disciplina", impõe-se um exame de inglês no 9º. ano, preparado em Cambridge, claro, como muito parolamente enfatizou.
9º. Ano, que dispõe de 90 minutos semanais de aulas de inglês.
E sem inglês no 1º. ciclo.
Mais um cínico presente envenenado de D.Nuno.
Apenas mais um.
E dizem eles, os deste des-governo, que só pensam nas gerações futuras....
Apetece parafrasear Almada Negreiros e a sua "Cena do Ódio" : "Esta é a Pátria onde às "gerações futuras" se nega o futuro, e onde todos enchem a barriga a falar das "gerações futuras"
Isn't that right, mr. Crato?

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

DRIVING MISS SWAPS

 
Dizia Maria Luís Albuquerque, ou Miss Swaps como carinhosamente é conhecida, que nada teve a ver com essa coisa esquisita que dá pelo nome de swap.
E, conduzida por Vitor Gaspar, foi abençoada Ministra das Finanças por Passos Coelho, ungida por Cagarro, perdão, Cavaco Silva.
No Parlamento, porém, Almerindo Marques, velha raposa, exibe um papel e, surpresa!, revela-se um parecer da Miss sobre uma operação das Estradas de Portugal que envolvia um swap!
E outro da CP!
E só passados três dias, abúlica, insegura, a oposição reage!
Tarde, mais uma vez!
O Des-governo e a bancada que o apoia, pressurosamente, é que passam ao ataque, prometendo prisão e as galés para quem ofender Miss Swaps.
De língua de fora e rabo a-dar-a-dar, José Gomes Ferreira e Camilo Lourenço atropelam-se, ao empurrão, à punhada, em defesa de sua dama.
E vão ao "A Tua Cara Não me é Estranha" imitar o professor Marcelo!
"Miss Swaps deu parecer sobre um swap?"
"Não", gritam os dois batendo no peito.
"Mas deu parecer sobre um empréstimo?"
"Sim", acenando vigorosamente a cabeça.
"Que tinha um swap associado..."
"Pois...talvez...",arqueando as sobrancelhas.
"Então havia swap, ou não?"
"Indirectamente, indirectamente...", sibilam em conjunto.
"Então mentiu na audiência de Julho?"
"Não, só não disse a verdade toda", pressurosamente afirmam.
"Mas isso não é mentir?"
"Pode ser que sim, mas pode ser que não...", apertando as mãos.
"Como é?"
"É certo que alguns preguiçosos dizem que mentir ao parlamento é considerado crime e perjúrio, vá lá saber-se porquê...", condescendem.
"Assim sendo..."
"...Mas o que é certo é que não dizer toda a verdade é permitido, lógico, honesto, exemplar, e politicamente sustentável. 
Como é prática salutar deste governo! Logo, ela está inocente! E se houver dúvidas, altere-se a Constituição despesista.", asseveram concludentes e extasiados.
E Como extasiado também está Crato com o seu novo exame de inglês, agora que o número de horas para esta cadeira até foi drasticamente reduzido, sugere-se que, a Miss Swaps, também seja dada a possibilidade de experimentar tal prova.
A conjugar o verbo To Swap:

Eu aldrabo e não digo toda a verdade 
Tu, Coelho, aprovas e mandas dar-me apoio
Ele, Cavaco, diz que sim, sabe lá o que é
Nós Governo, continuamos a aldrabar e a cavar o buraco
Vós, oposição, continuam mansos e ingénuos
Eles, gentinha, portugueses, se não baixam a cabeça, serão swapados.

E eis que cheiro a papel queimado e fumo preto começam a sair do Ministério das Finanças.
Habemus Miss Swaps!   
 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O PRINCÍPIO DE PORTAS


Paulo Portas foi ao Parlamento, dia 11/09/2013.
Mais especificamente para ser ouvido na Comissão Eventual para Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira.
Na qualidade de Vice-Primeiro Ministro e responsável pelas negociações com a troika.
Cargos pelos quais se bateu, denodadamente.
Com a birra de Julho.
Com a passagem, impávido, sem remorsos ou escrúpulos, da linha vermelha, encarnada, rubra, escarlate, tal Rubicão.
Irrevogavelmente.
Paulo Portas que, também, é responsável pela apresentação da Grande Reforma.
A do Estado.
A dos preguiçosos funcionários públicos e dos empecilhantes reformados.
A reforma que era para ser apresentada em Fevereiro.
Estamos em Setembro.
O que são 7 meses para um país que, está visto, não é a urgência deste governo? Nem de Portas!
Nunca foi!
E Paulo Portas foi ao Parlamento.
Amparado por Maria Luís Albuquerque e Carlos Moedas.
Paulo Portas abriu a boca, articulou palavras, e foi questionado.
E começou a gaguejar e a passar a bola para o lado, para os parceiros. 
Como sempre fez ao longo da sua vida política
Maria Luís socorreu com os números e o discurso copy paste de Gaspar.
Moedas sacou da esponja de água e, qual treinador, limpou o rosto dorido de Portas e berrou-lhe a táctica.
A Comissão parlamentar não é o Bolhão nem a Ribeira.
O discurso populista e demagogo não era para ali chamado.
Para desgosto de Paulo Portas.
Paulo Portas viu-se acima da sua competência, irrevogavelmente incompetente.
O princípio de Peter suspenso sobre a sua cabeça!
E nessa noite Paulo Portas teve pesadelos, suores frios.
Viu-se numa cruz, entre Maria Luís e Carlos Moedas.
Em baixo, Passos Coelho, de sorriso cínico, enterrava-lhe no flanco a lança afiada.
Ao longe, no palácio, Cavaco Silva lavava, lentamente, as mãos.
Na água tépida.
Aquecida com a fogueira formada por antigos exemplares de "O Independente".
E no Largo do Caldas, qual templo, o seu retrato rasgou-se e as portas cerraram-se-lhe.
 
 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

D.NUNO, PIOR DO CRATO

 
(PUM!)

Hoje, começa o novo ano escolar.
E a escola é franca e risonha.
Nuno é risonho!
2.000 horários por preencher? Os professores desinteressaram-se, diz o Pior do Crato!
Risonho!
Professores no desemprego? É porque os portugueses não truca-trucam!, sentencia D.Nuno, risonho.
As Universidades estão estranguladas? Então Nuno ordena que nem possam recorrer a receitas próprias. Colectivizem-se as receitas, como diria o glorioso Mao, inspiração do Pior do Crato.
Nuno, o Pior do Crato, vai às TÊVÊS, e diz que anda a ver, desconhece casos concretos, da escola nem enxerga a localização, o estado, a vivência. É tudo pontual, afirma. Mas continua risonho.
Mega-Turmas, nem pensar. Nuno diz que a dimensão média das turmas é de 21/22 alunos.
Mas pode ir a 30, no máximo. Ou. como o parceiro do lado, passa-se a linha vermelha, podem ser 32, 35, quiçá 36! Aos trambolhões. Em contentores. Risonhamente! Vamos andar a ver...
E professores contratados, com provas e avaliações realizadas? Vamos avaliá-los outra vez! Crítica e auto-crítica, e viva, risonhamente, a dialéctica.
E vamos colocar mais alguns já o ano lectivo a decorrer. Sem tempo para reuniões prévias, para análises de manuais, para conhecimento das escolas. E obrigá-los a fazer turismo cá dentro.
Do Porto para Faro. De Portimão para os Açores. Do Funchal para Bragança.
E nada de troca de conhecimentos, de diálogo, de despertar consciências, de aprender e ensinar todos os dias. Ser professor e aluno,
Sebentar é que é preciso. Não muito. Apenas saber ler, escrever e contar. 
Para, no futuro, os alunos arranjarem empregos qualificados a 310,00 euros ao mês. Muito risonhamente.
E para as elites, sem misturas, com disciplina, sem problemas sociais, para lutar pelo ranking, o cheque-ensino para o ensino privado. 
A escola pública que se amanhe com o resto.
E Nuno, Pior do Crato chama-lhe equidade, convergência, requalificação, o que for. Sempre risonhamente! 
E vamos introduzir uma prova de aferição, exame, o diabo a sete, na cadeira de Inglês do 9º. ano. Made in Cambridge, que os professores de inglês em Portugal são incompetentes!
E patrocinada por empresas privadas. Como no Jardim Zoológico!
E D.Nuno, risonho, a estender a faixa, glorificando o sponsor, na centenária fachada do Lyceu Camões: "Durex supports the English test!".
E, diz D.Nuno, os pais têm a liberdade, finalmente, de escolher as escolas para os filhos.
Só que não há escolas!
Nem professores!
Risonhamente.
E o Pior do Crato é afrontado. "Tem consciência do que está a fazer à Educação?"
D.Nuno tem! Anda a ver...
E decreta: "Não podemos dar ouvidos a tudo o que se fala"  
Exactamente!
Não podemos dar ouvidos a D.Nuno, Pior do Crato.
E da coerência maoísta, siga o exemplo:
Dê o Grande Salto em Frente, e
Vá bater asas para Pequim!
 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O FEITICEIRO DE OZ

 
No dia 12 de Setembro de 1939 estreou-se um dos marcos do cinema mundial: "O Feiticeiro de Oz", produzido pela MGM, e que conheceu 4 realizadores sucessivos: Richard Thorpe, George Cukor, Victor Fleming e King Vidor (este dirigindo as cenas relativas ao espaço rural onde a heroína vivia).
O filme não é a primeira obra em technicolor. Porém, e pela primeira vez, todo o potencial da cor é plenamente utilizado. Às cenas coloridas de Oz são, por contraste, opostas as cenas a sépia da casa de Dorothy (Judy Garland), nas planícies do Kansas.
Dorothy que, em busca do seu cão perdido vai, pela estrada de tijolo dourado, a caminho de Oz, para pedir apoio ao grande Feiticeiro para o seu regresso a casa. Até lá, encontra como companheirods de percurso, um espantalho que vai pedir um cérebro, um homem de lata em busca de um coração e um leão à procura de coragem.
Chegados a Oz, descobrem que, afinal, o grande Feiticeiro, que domina os seus conterrâneos através de truques e mentiras, não passa de um pequeno e insignificante homenzinho. Onde é que já se viu isto?
O resto da trama deve ser visto, sempre com os olhos de quem vê uma obra de arte não envelhecida, mas com a patine dos grandes bouquets.
O filme ganhou 2 Oscares, em 1940: Melhor Banda Sonora e Melhor Música Original ("Over the Rainbow"). E este último galardão, altamente merecido.