Faleceu ontem, aos 89 anos, um vulto cimeiro das nossas Letras e Cultura.
Urbano Tavares Rodrigues nasceu em Lisboa a 6/12/1923, tendo passado a infância em Moura.
contacto com o trabalho e os trabalhadores do campo revelar-se-ia importante para a sua obra literária.
Impedido de leccionar em Portugal (tinha aderido ao PCP, então clandestino), trabalhou como leitor de Português nas Universidades francesas de Montpellier, Aix e Paris.
Através de artigos, colaborou em revistas como o Bulletin des Études Portugaises, Colóquio-Letras, Jornal de Letras, Vértice e Nouvel Observateur, tendo também exercido a crítica teatral em O Século e Diário de Lisboa.
Escritor e cronista multifacetado, retratou a consciência do Indivíduo face a si mesmo e ao reconhecimento da sua identidade social e política.
Militante desde sempre do PCP, nunca hesitou entrar em polémicas, tendo ficado para os anais as suas conversas/discussões com Álvaro Cunhal.
Por direito próprio, e após o 25 de Abril, assumiu a sua cátedra na Faculdade de Letras de Lisboa, na qual foi jubilado em 1993 tendo, antes, defendido a tese de doutoramento em Literatura(1984) que versou sobre a obra de Manuel Teixeira Gomes.
Deixa-se o convite para que nos debrucemos sobre a obra deste grande português, agora desaparecido.
Há 68 anos, pelas 8.15 da manhã, a bomba atómica "Fat Man" destruía Nagasaki, assassinando, no momento, cerca de 80.000 vidas.
Nagasaki, onde Puccini situou a acção de "Madame Butterfly", Nagasaki fundada por Portugueses, em 1570.
Três dias antes, a 6/08/1945, pelas 11.02, a bomba "Little Boy" tinha ceifado 140.000 vidas em Hiroshima.
Dos sobreviventes deste apocalipse nuclear, 46% viriam a morrer de leucemia e 11% de cancro, e só até ao final do ano de 1945.
Actualmente, ainda existirão cerca de 260.000 sobreviventes deste holocausto, designados, em japonês, por hibakusha, que significa "pessoas afectadas por bomba", sendo certo que as nefastas consequências dos bombardeamentos podem transmitir-se até à 5ª. geração.
Nada, repete-se, nada pode justificar, ou alguma vez justificou esta barbaridade, este verdadeiro crime de guerra.
6 e 9 de Agosto de 1945 assistiram à completa descida do género humano aos infernos.
E Maria Luís? Iremos assistir a uma nova versão cinéfila, assim a modos "E tudo o swap levou"?
Mais do que atirarem e passarem culpas, o que os partidos do arco do poder, neste caso concreto, teriam como obrigação de estado, seria apurar e divulgar todos os pormenores e a extensão das denominadas operações swap que, acrescenta-se, nada têm de hediondo ou fantasmagórico, já que se trata de operações bancárias praticadas há decénios.
Mas o que, julga-se, o que aqui verdadeiramente está em causa não é a operação, ou operações em causa (que uma auditoria competente analisaria e relataria em 15 dias!), o que está no cerne desta questão é a tentativa de mentir e de limitar a informação, através dos múltiplos canais em que esta pode ser transmitida.
Um estadista, seja ministro ou secretário, nunca pode, digamos, nunca deve mentir, devendo arcar, por tal, com todas as responsabilidades. De nada serve dizer que "F não mentiu, apenas não disse toda a verdade..." (não é, Prof. Marcelo?). Não dizer TODA a verdade é...MENTIR.
Depois de tudo quanto se passou e passa, é melhor que todos os que se sintam com vontade de ocupar lugares de poder interiorizem que, cada vez mais, o espaço para a mentira é (deveria ser...) mais estreito.
E para isso, é necessário que todos os órgãos de informação tenham acesso às fontes, à possibilidade de divulgar informações sem se sentirem coagidos, a perguntar e a obter respostas, livremente, sem "off the record" ou pressões ministeriais intoleráveis.
A liberdade de informação, a liberdade de imprensa, são bem demasiado preciosos para que um transitório Lomba ou Maduro de passagem as ponham em causa ou questionem.
E é essa liberdade que está em causa!
O que também passa pela assunção, por parte dos mensageiros das informações (jornalistas, diga-se), que devem recusar qualquer tentativa de suborno, chantagem ou silenciamento já que fazem parte, de facto, do Quarto Poder.
A mentira, por meia-verdade que seja, não resiste muito tempo se for devidamente denunciada e investigada.
Agora que o icónico "Washington Post" foi vendido, reflictam no exemplo de Carl Bernstein e Bob Woodward (Watergate).
P.S. : Parece que anda um surto de mosquitos e melgas para os lados do Algarve. Nada mais natural, tendo em atenção que as duas maiores melgas deste país estão lá a banhos...
(Tás a ver ó lorpa? Aquelas melgas lá em cima não nossas parentes...Tadinhas!)
No dia 5 de Agosto de 1962 falecia Norma Jean Mortensen, actriz que o mundo conheceu sob o nome de Marilyn Monroe.
A causa oficial para a morte foi suicídio através de overdose de barbitúricos. No entanto, ninguém rejeita, ainda nos nossos dias, a hipótese de homicídio, atendendo, até, às suas assumidas relações, com John Kennedy (então presidente dos EUA) e Robert Kennedy (então Procurador Geral).
Marilyn terá passado para a história como a grande sex-symbol americana, devido à sua beleza genuína e graciosa sensualidade.
Mas Marilyn foi mais do que isso, muito mais.
Como cidadã, sempre se preocupou com a defesa dos direitos das minorias, designadamente da comunidade negra, onde se destacava o futuro prémio Nobel da Paz, Martin Luther King (assassinado em 1968!).
Como artista, procurou sempre aperfeiçoar-se, estudando, lendo, dialogando, quer frequentando a famosa Actor's Studio de Nova Iorque, então dirigida por Lee Strasberg que, entre outros, lançou um tal Marlon Brando, quer frequentando meios literários e intelectuais, a que não terá sido estranha a sua relação com o grande dramaturgo Arthur Miller, que escreveria, ou colaboraria em, pelo menos, dois argumentos de filmes protagonizados por Marilyn.
Muito longe do estereótipo da "loira burra", não é de estranhar que as comédias e dramas de sucesso onde participou Marilyn, tenham sido dirigidos por alguns dos mais prestigiados realizadores norte-americanos. Exemplos:
"Niagara", drama, de 1953, realizado por Henry Hathaway;
"Os homens preferem as loiras", comédia, de 1953, realizado por Howard Hawks;
"Rio sem Regresso", drama, de 1954, realizado por Otto Preminger;
"O Pecado Mora ao Lado", comédia, de 1955, dirigido por Billy Wilder. Este filme também ficou famoso pela cena em que a saia de Monroe é ondulantemente levantada pela corrente de ar saída de um respiradouro do metro;
"Paragem de Autocarro", drama, de 1956, dirigido por Joshua Logan;
"Quanto mais Quente Melhor", comédia, de 1957, dirigido por Billy Wilder;
"O Príncipe e a Corista", comédia, de 1957, realizado (e protagonizado) por Laurence Olivier. Com este filme Marilyn Monroe receberia o prémio Donatello ( equivalente, em Itália, ao Oscar) pela sua interpretação;
"Vamos Amar-nos", comédia, de 1960, realizado por George Cukor, onde contracenou com Yves Montand e Arthur Miller colaborou no argumento;
"Os Inadaptados", drama, de 1961, realizado por John Huston, com argumento de Arthur Miller, e que seria o último filme de Marilyn e, também, de Clark Gable.
Para os interessados, vejam, ou revejam, os filmes de Marilyn Monroe com os olhos bem abertos.
Se houve um diamante na longa história do cinema, chamou-se Marilyn Monroe.
BANDALHEIRA : Acção de bandalho; baixeza; indignidade; situação de grande confusão e desordem. BANDALHO: Pessoa sem pundonor; indivíduo esfarrapado; trapo grande. (Sinónimos retirados da Infopédia, Dicionários Porto Editora).
Afinal, andavam todos distraídos.
Quando se dizia que a conversações para a querida "salvação nacional", patrocinada e abençoada por Cagarro Sil, perdão, Cavaco Silva, não teriam sido objecto de relatos jornalísticos ou reportagens televisivas, eis que, obtidas junto de fonte fidedigna, tâo fidedigna como Miguel Relvas ou Poiares Maduro, se divulgam imagens exclusivas dessas patrióticas negociações:
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, se estivesse vivo, completaria hoje 84 anos.
Faleceu a 23/02/1987.
O Zeca Afonso continua, e continuará, a fazer parte integrante do nosso património.
Do património cultural, pela sua extensa e genial obra, tanto do ponto de vista da composição como da poesia.
E do património humano, pela constante coerência e verticalidade de carácter.
Já muito se disse e escreveu sobre o Zeca. Em anexo a este post, junta-se mais um trabalho sobre este nosso grande contemporâneo. E podemos recordá-lo, como se tem feito por várias vezes ao longo deste blog:
UTOPIA
*
Era
uma vez um trovador…
Uma
camisa, uma simples camisola, umas calças jeans, sapatos gastos, óculos quase
na ponta do nariz, viola a tiracolo, esta era a figura do trovador que
calcorreava os caminhos da sua terra e outras, sempre pronto a cantar as suas
baladas e a abraçar as gentes por quem ia passando e que também transportava
para as canções.
Vem isto a propósito de um acórdão da Relação do Porto que mandou uma empresa de recolha de lixos integrar um trabalhador que fora despedido por se ter descoberto que, durante o trabalho, estava alcoolizado (grau de alcoolemia de 2,39).
Não estará, aparentemente, em causa a bondade da decisão, já que os estatutos da empresa seriam omissos quanto à situação de facto.
O que se coloca em causa é a gravidade do teor paternalista e incitador ao consumo de álcool a que a leitura do dito documento pode induzir.
Com efeito, uma frase deste jaez é, para além do que se deixa escrito, de uma insensatez e de uma humilhação do trabalhador em causa, e da sua tarefa, que se torna uma afronta:
"Com álcool o trabalhador pode esquecer as agruras da vida e empenhar-se muito mais a lançar frigoríficos sobre camiões e, por isso, na alegria da imensa diversidade da vida, o público servido até pode achar que aquele trabalhador alegre é muito produtivo e um excelente e rápido removedor de electrodomésticos".
Ou pode empenhar-se muito mais a contar dinheiro na caixa de um banco;
Ou a dar aulas de matemática num qualquer Curso Superior;
Ou a proceder a uma operação de transplante de coração;
Ou a proferir doutos acórdãos de tribunal.
Ou só os trabalhadores do lixo, ou aqueles com empregos considerados como "lixo" é que se podem dar ao luxo de apanhar valentissimas bezanas?
Deve ser a famosa alegria no trabalho...
Cara "troika" de juízes, vai um copo? Ou meia dúzia de shots?
Talvez aumente o consumo de alcool e, assim, a economia recupere, como bebe, perdão, como diz o Coelho!
Bêbados por bêbados, antes o Vasco Santana, cujo talento supera incomensuravelmente o dos meretissimos...
(O monólogo teria como alvo Salazar. Podem adaptar ao Cagarro, perdão, ao Cavaco, guardadas as distâncias)