Ontem, 8 de Abril de 2013, morreu Margaret Thatcher, ex-primeira-ministra da Grã-Bretanha, conhecida como " A Dama de Ferro".
terça-feira, 9 de abril de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
ALMADA
Ontem, 7 de Abril, passaram 120 anos sobre o nascimento de um dos grandes vultos da Cultura portuguesa de sempre : José de Almada Negreiros,
Figura ímpar, quer nas artes plásticas (desenho, pintura), quer na escrita (romance, poesia, ensaio, dramaturgia), quer, até, na dança (foi coreógrafo, figurinista, director de cena e bailarino), Almada marcou fulgurantemente os anos de 1911 a 1970.
Ligado ao movimento futurista, de Marinetti (que influenciaria a arte italiana dos tempos de Mussolini), com Santa Rita (pintor) e Amadeo de Souza Cardoso, o percurso de Almada foi muito pessoal, autodidacta, e pouco ligado a movimentos colectivos. Embora colaborando com o Estado Novo (cartazes de propaganda, vitrais para o pavilhão da colonização da Exposição do Mundo Português), foi-se progressivamente afastando dessa tutela, nunca aceitando que o estado ditasse os padrões a que a arte se devia submeter.
Desde a sua colaboração na Revista Orfeu, que motivou feroz ataque do tradicionalista Júlio Dantas, o que nos permitiu saborear o Manifesto Anti Dantas, ao romance como "Nome de Guerra" ou a prosa poética "Invenção do Dia Claro", ou até à sua última obra, o desenho inciso "Começar", no átrio de entrada da Fundação Gulbenkian (1968/69), Almada convida-nos à contemplação, admiração, leitura, reflexão, e sentimo-nos, depois, esmagados.
Num breve percurso por Lisboa, podemos, entre outras obras, admirar os seus murais nas Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha de Conde de Óbidos, os vitrais na sede do Diário de Notícias (Avenida da Liberdade), os painéis decorativos nas Faculdades de Letras e de Direito e os vitrais da Igreja de Nossa Senhora de Fátima (à Avenida de Berna).
Por fim, no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, podemos admirar o seu quadro Retrato de Fernando Pessoa, de 1964 (existe outro Retrato, de 1954, pintado para o café Irmãos Unidos, vendido em 1970 por preço record).
José Augusto França dele disse que fica sobretudo a imagem de "português sem mestre" e, também, tragicamente, "sem discípulos"-
Morreu a 15/06/70, no Hospital de São Luís dos Franceses, ao Bairro Alto, no mesmo quarto onde faleceu Fernando Pessoa.
Manifesto Anti-Dantas (e por extenso), pelo grande actor e declamador Mário Viegas:
"Retrato de Fernando Pessoa", 1954
PATÉTICO
O discurso de ontem de Passos Coelho foi, a todos os títulos lamentável.
Mais uma vez confundiu-se a árvore (o Tribunal Constitucional) com a floresta (o falhanço da actual política financeira).
O Tribunal é responsável pela verificação das constitucionalidade das leis (não é verdade, prof. Marcelo?), não o é pela política fiscal.
Tanto drama e queixinhas por um desvio de 0,8% no OE?
E o desvio de 0,9% (pelo menos...) na percentagem do défice em 2012? Foi responsável o Tribunal?
E o desvio de 130% na percentagem da recessão prevista para 2013. Também foi por culpa do Tribunal?
E os sucessivos erros nas previsões do desemprego? Idem, Idem?
E o resvalar do rácio dívida/PIB? Falhanço do Constitucional?
Ou será que alguém pretendeu governar atirando a Lei Fundamental do país para o lixo?
Se assim foi, revela, para dizer pouco, imaturidade, irresponsabilidade, incompetência.
Enfim, uma intervenção patét(a)ica.
E isto sem querer ofender o Pateta, uma das mais simpáticas figuras da Disney.
(Primeiro-ministro com ideias? E porque não?)
domingo, 7 de abril de 2013
MARX ESTÁ MORTO
"É a lei do Orçamento do Estado que tem que se conformar à Constituição, e não a Constituição que tem que se conformar a qualquer lei".
Esta cristalina declaração de Joaquim Sousa Ribeiro, juiz-presidente do Tribunal Constitucional, é o cerne da questão.
Bombardeados, a todo o minuto, com o que lemos, ouvimos e vemos, custa distinguir a árvore da floresta. Mas tal é a missão dos ideólogos do neoliberalismo e do primado da folha de excel.
Quem governa sabe que existe uma Constituição a cumprir, a qual até já foi alvo de diversas revisões.
Querer, deliberadamente, fazer passar, até por duas vezes consecutivas, legislação que se sabe ser inconstitucional, não é só irresponsabilidade ou incompetência. É premeditação!
A Lei Fundamental já contempla várias hipóteses de resolução de qualquer crise política (as crises ditas económica ou financeira são, acima de tudo, políticas). E, de acordo com o normativo legal em vigor, a Constituição não está blindada a revisões mais profundas.
Querer alijar as culpas para cima do Tribunal, da Constituição, das leis, é querer o primado da falta de lei, da barbárie desreguladora, da ditadura, para que, então, se aplique a receita selvática.
Já sabemos que, agora, vem aí a ladainha dos queixinhas, e que o pobre povo irá pagar ainda mais do que já paga por causa dos senhores do Tribunal. Não se quer ver a floresta. O legal vai ser espezinhado para passar o ilegal.
Atiramos trabalhadores do sector privado contra os funcionários públicos, trabalhadores activos contra reformados, médicos contra professores, agricultores contra operários.
E enquanto se castiga o trabalho, o capital prospera e passa fronteiras, sem regulamentos, enleia e afoga povos e nações. Onde está a união? Onde está a solidariedade?
Karl Marx e a luta de classes morreram, proclamam os novos profetas do liberalismo.
Morreram mesmo?
ZIP ZIP
Dia 6 de Abril faleceu, aos 77 anos, um dos nomes maiores da televisão portuguesa: Luiz Andrade.
Se a sua actividade enquanto director de programas pode ser alvo de alguma controvérsia, é inquestionável a sua competência e a inovação na área da realização.
Pelas suas mãos passaram algumas das grandes produções da RTP: Um Dois Três, Jogos sem Fronteiras, Festivais da Canção, A Visita da Cornélia.
E, acima de tudo, o mais emblemático e inovador de todos os programas da RTP que, na altura, foi uma enorme pedrada no charco do cinzentismo e pasmaceira nacional: Zip Zip (a que voltaremos mais tarde).
Quanto mais não fosse, só por tal, até sempre Luiz!
sexta-feira, 5 de abril de 2013
POMAR
E depois do Sr. Relvas, vira-se a agulha e fala-se de algo verdadeiramente importante: é hoje inaugurado ao público o Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, na Rua do Vale, junto à Igreja de Jesus, num armazém do século XVII que pertenceu à Livraria Sá da Costa.
A adaptação do espaço é da responsabilidade de Álvaro Siza Vieira.
A entrada é livre, a partir das 14 horas, e às 19 horas há uma visita guiada, conduzida pela directora do Museu, Sara Antónia Matos, e pelo próprio Júlio Pomar.
Recomenda-se, bem como se recomenda a vista obrigatória a mais este espaço cultural em Lisboa.
E Pomar é infinitamente mais importante e valioso que um tufo de relva.(a seguir - "Almoço do trolha", obra fundamental do neo-realismo, e Auto Retrato)

O BORRÃO
O Sr. Miguel Relvas, que ostentava o sonante título de Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, demitiu-se ontem.
Por vontade própria!
Por não ter condições anímicas para continuar!
Postas-de-pescando que "...só a História julgará com a objectividade e a distância temporal indispensáveis a acção de cada um de nós enquanto agente político".
Vontade própria, quando se sabe que o seu amigo Nuno Crato, que passa por ministro da Educação guardou, durante dois meses (o que, só por si, daria mais do que motivo para nova demissão), um relatório que conclui que o Sr. Relvas burlou a universidade como um todo, a sociedade, o país, atribuindo-se uma licenciatura que nunca teve? É evidente que as conclusões do relatório indicaram a óbvia porta de saída, pela esquerda baixa. E isto para não adiantar o que será o desenrolar do processo no Ministério Público, caso se detecte um ilícito criminal.
Vontade própria quando o país, de norte a sul, pedia a sua demissão, em manifestações que a memória de outros tempos já não recordava, e quando o próprio parceiro de coligação se sentia incomodado com a sua presença no governo?
Por não ter condições anímicas para continuar? E que condições anímicas têm para continuar as dezenas de milhares de jovens que a sua política lançou para o desemprego, para a emigração, para desistirem do futuro, para deixar o país sem a sua geração mais bem preparada?
Esses sim, licenciados.
Esses sim mestres.
Esses sim doutores.
À custa de muito esforço, dedicação, sacrifício, deles e das suas famílias.
Sem recorrerem a expedientes desonestos.
A acção do Sr. Relvas não trouxe qualquer mais-valia para o país. A dita reestruturação da RTP é uma teia de contradições, avanços e recuos, dignos da pior novela mexicana. O dito impulso jovem (muito gosta esta gente de encher a boca com a palavra jovem), é um fiasco, De 90.000 estágios profissionais previstos, ficaram 10.000. O mapa autárquico ficou pela metade. Falta de força anímica, vê-se logo! A coordenação do governo, e deste com a maioria parlamentar foi algo de simplesmente inexistente.
Ficam o logro da "licenciatura", a tentativa de chantagem com a jornalista Maria José Oliveira e, acima de tudo, a criação, a preparação, o apoio, até a nível de negociatas particulares (Tecnoforma), o conluio e os segredos para rampa de lançamento do seu alter ego, que dá pelo nome de Pedro Passos Coelho. E agora Pedro?
Diz o Sr. Relvas que só a História o julgará.
Senhor Relvas, o interminável livro da História preocupa-se em preencher as suas páginas, com letras, traços, sinais, pontos, que distingam vultos que façam valer a pena folheá-las, lê-las, para que meditemos, aprendamos, discutamos, para o bem ou para o mal, para o belo ou para o horrível, para Gandhi ou Hitler, Beethoven ou Átila.
Não perde tempo com um borrão!
(porque não vai ser aguadeiro na Volta à França? Só que para isso teria de distinguir a mão direita da esquerda)
Subscrever:
Mensagens (Atom)