terça-feira, 30 de junho de 2015

O VENERANDO CHEFE DO ESTADO


Num momento em que a Grécia convoca um referendo para saber se a sua população aceita, ou não, as propostas da União e do FMI, com isso trocando as voltas aos algozes, perdão, aos credores.
Num momento em que tal decisão, pelos riscos que comporta, para o Euro e para a UE, provoca um violento espirro nos mercados financeiros que faz tremer de terror a Europa e o Mundo.
Num momento em que, na sequência destes factos, vemos Merkel, Hollande, Juncker, apelar ao urgente diálogo (5 meses serviram para quê?).
Num momento em que, mais uma vez, Obama insiste na necessidade da preservação da estabilidade do Euro e da União Europeia, no que é seguido pelo presidente da China.
Num momento em que já toda a gente reconheceu que em caso de queda da Grécia, Portugal seria o senhor que se segue, para além de, no imediato, ser notoriamente afectado pelo comportamento dos mercados.
Nesse preciso momento, uma voz se levanta e sossega o Universo, a Galáxia:
O Silva de Belém que, com iluminada perspicácia e presciência anuncia trombeteiramente:
"A zona do euro são 19 países, eu espero que a Grécia não saia, mas se sair ficam 18 países".
Nem Monsieur de La Palice diria melhor!
Profundo!
Didáctico!
Aritmeticamente correcto!  
Melhor que o profundamente pior do saudoso venerando chefe do estado Américo Thomaz!
O Estado a que isto chegou!
O grau zero da política!
E da inteligência!
É o chico-espertismo das labregos ignorantes!
Já que D. Juan Carlos está sem fazer nenhum, peçam-lhe para vir cá e berrar nas fúcias do zombie de Belém:
"Porque no te callas????"

(Deolinda - "Fon fon fon")

segunda-feira, 29 de junho de 2015

AMAZING GRACE

(Stonewall Inn - Bar em Greenwich Village, símbolo da luta pelos direitos dos homossexuais e, este mês, considerado Património Municipal de Nova Iorque)

No dia 26 de Junho de 2015 fez-se história nos Estados Unidos.
Por 5 votos contra 4, o Supremo Tribunal daquele país legalizou, em todos os estados, o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Esta decisão, tal como aquela que, no início da mesma semana, considerou legal o programa de assistência na saúde aos mais desfavorecidos (e são escandalosamente milhões nos EUA), conhecido como Obamacare, é um salto civilizacional e o reconhecimento ao direito à felicidade sem restrições.
E representa, claro, uma tremenda derrota para os ultra-conservadores empedernidos do Partido Republicano e para a extrema-direita do famigerado "Tea Party" que, por acaso, ou talvez não, conta com simpatizantes no governo português.
Representa também, num país em que este problema é doloroso e sangrento, uma derrota para todos os que fazem do racismo, de todas as formas de racismo, uma forma de pensamento e de acção, envoltos na sua estupidez e ignorância.
Uma semana, enfim, em que o melhor dos Estados Unidos surgiu perante todos nós.
Haja esperança!
 
 

FEIOS, PORCOS E MAUS!

 


Se alguém tinha dúvidas sobre a bondade de uma Europa coesa, solidária, integrante, como desejado pelos Fundadores que, a 1 de Julho de 1967 assinaram o Tratado de Roma, desengane-se.
Com os episódios quase pornográficos a que se assistiu nos últimos dias, relativamente à "negociação" da dívida grega, ficou claramente explícito o que quer esta Europa e como o pretende alcançar.
Para este bando de burocratas, ignorantes da História, chamem-se Dijsselbloem, Juncker, Tusk ou Draghi, a democracia é apenas formal, a soberania de cada estado é limitada e, aquando das eleições, apenas podem ser eleitos os que respeitem o diktat: liberalização total, desregulamentação máxima, transferência brutal dos recursos do trabalho para o capital, precarização do mundo laboral, eliminação do estado social e rédea livre para a gula dos privados e da excessiva balança comercial da Alemanha (ai aqui não há regras?).
Quem ousar pôr em causa estes dogmas deve ser punido e humilhado. Não há lugar à alternativa.
É isso que nos ensina a crise grega.
O problema não é o défice, não é o saldo primário, não é a dívida.
A questão é política!
A Grécia, no fundo, pôs a nu esta construção "europeia" ao arrepio dos tratados fundadores, e cimentada em torno do Tratado de Maastricht, do Pacto de Estabilidade e Crescimento, do Tratado Orçamental e do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira, verdadeiros garrotes da democracia e da liberdade de escolha dos cidadãos europeus.
Assim, só há que castigar a Grécia, ovelha negra do plácido rebanho,. ainda mais plácido quando a social-democracia, o trabalhismo e o chamado socialismo democrático se renderam, deixando cair em mãos duvidosas (olá Frente Nacional...) as bandeiras da justiça social, do progresso, dos direitos laborais, da coesão e da solidariedade.
E como já não seria bonito bombardear Atenas por panzers ou stukas, asfixia-se o país económica e financeiramente, pensando-se que a eventual saída da Grécia do euro seria o extirpar de um tumor, sem mais consequências, como o demonstra a incompetente, desastrada e irresponsável forma como o Governo de Portugal (o país que se seguiria..) lida com o assunto.
Pura asneira! Desde a total descredibilização do euro, com reflexos profundos na economia europeia, até ao efeito de contágio, toda a Europa perderia. E muito, nestes tempos de economia global e planetária.
Mas será que, para meter todos estes acéfalos na ordem, será preciso Obama desembarcar na Normandia e Putin cercar Berlim?

(Leonard Cohen - "First We Take Manhattan")

sábado, 20 de junho de 2015

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

 
A Europa está cega.
Pelos menos a Europa a que respeita a "União Europeia".
Porque o problema da Grécia, claramente,
não é o défice, ou o default, ou as pensões, ou as falaciosas "reformas estruturais".
O problema da Grécia é político.
O problema é, legitimamente, o povo grego ter escolhido uma opção diferente da narrativa oficial.
Que não acredita em "austeridade expansionista".
Que descrê de cortes cegos.
Que considera a asfixia da economia como incapaz de diminuir a dívida.
Que ainda acredita que a Europa é um espaço de liberdade, justiça e solidariedade.
Que desfaz os argumentos de Merkel, Schlaube, Hollande, Draghi ou Juncker, adeptos do esmagamento dos mais fracos, da deterioração do trabalho a favor do capital, da desregulamentação dos mercados especulativos e usurários, do aniquilamento dos direitos sociais e laborais, da extinção do Estado Social, que deveria ser o orgulho de qualquer europeu, enfim da agenda ultra-liberal e ultra-capitalista como cartilha única e incontestada.
Lagarde tem razão, a sala está invadida por crianças, as atrás citadas e os seus lacaios e sabujos, como Passos ou Cavaco.
E nesse regabofe, com a Alemanha a seus fiéis escudeiros a transformarem em picadinho as bases fundadoras do Tratado de Roma, e a destruírem, pedra por pedra, o edifício europeu, ninguém se deu ao trabalho, sequer, de olhar para o mapa da Europa.
O que qualquer criança minimamente inteligente faria.
E constatar a privilegiada posição geo-estratégica da Grécia.
Na recente conferência do G7, Obama aconselhou Merkel e a Comissão Europeia a fazer tudo para manter a Grécia no Euro.
Obama olhou e percebeu-
Putin, esse, há muito que já olhara e percebera.
A "União", cega, não olha, não vê e não percebe! 

terça-feira, 16 de junho de 2015

O ALIVIADO

 
O zombie de Belém agora, diz que se sente aliviado com a oferta que, literalmente, o governo fez da TAP aos novos proprietários.
Segundo a emérita criatura, a privatização foi óptima, a empresa fica em mãos portuguesas, o hub permanece em Lisboa, etc., etc.
Isto tudo, segundo diz, por ter recebido informações positivas por parte do governo, da Comissão Europeia (que, oficialmente, ainda não se pronunciou, adiante...), da Direcção Geral da Concorrência da UE, sabe-se lá de mais quem, informações que quase todos desconhecem.
Vamos a ver se não são tão boas como as que sua excelência recebeu para poder afirmar que o BES era um banco sólido...
Homem de fé, reconheça-se. Falta saber fé em quê...
Na mesma altura, em visita a um país estrangeiro, a criatura resolveu interferir na política interna de um outro país aliado - a Grécia-, permitindo-se enviar recados como quem, tendo telhados de vidro, atira pedras ao do vizinho.
Triste figura, feita por quem não explicita, ou desconhece, as regras em que se baseia a União Monetária...
Enfim, mais uma iliteracia evitável.
Mas ainda teremos de aturar aquilo por mais oito longos meses.... 
Haja pachorra!

sábado, 13 de junho de 2015

DIA DE PORTUGAL DOS PEQUENINOS

Há 36 anos que o conhecemos.
Imutável.
A pequenez.
A mesquinhez.
O provincianismo complexado.
O ressentimento ressabiado.
A vingança traiçoeira.
A vileza.
O panfleto da sua ideologia e do governo que concebeu e apadrinha.
A ilusão barata, a prestidigitação de feira, o truque baixo,
O fingimento de um país que não existe,
Gato por lebre,
Bacalhau a pataco,
TAP ao pontapé.
Penduricalhos com fartura, pão e circo. 
O ódio ao diferente, à alternativa, ao pensamento, à cultura.
Ele, sim, profeta da desgraça,
Do desânimo, da desesperança, dos braços caídos, da fome, do desemprego, da pobreza.
Portugal pequenino, vassalo, obediente, 
História esquecida, omitida, apenas
Assoprada da boca para fora, sem quaisquer sentimentos.
Triste fado o nosso...
Que é um fadista que bem o descreve:
E, no meio disto tudo, 10 de Junho é dia de Camões.
E alguém falou ou fala de Camões, tirando os lugares comuns para disfarçar a ignorância?
Como bem escreveu Almada Negreiros (A Cena do Ódio):
E. ainda há quem faça propaganda disto:
a pátria onde Camões morreu de fome
e onde todos enchem a barriga de Camões!

E voltasse Camões a este mundo, e o olhasse, olhos nos olhos, sobranceiro em Belém, mais à feira de vaidades, arrogâncias e ignorâncias que o rodeiam, e decerto voltaria a escrever, como só ele sabia:

Não mais, Musa, não mais, que a lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida,
O favor com quem mais se acenda o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
no gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.

terça-feira, 9 de junho de 2015

GOVERNO DOS PEQUENINOS...

Passos Coelho é um mito urbano!
Revelado em pequenino!
Perdão, no Portugal dos Pequeninos, nos 75 anos do parque.
Incentivar a emigração, ele?
Nunca!
Isso é um mito!
 Como deverão ser mitos os apelos claros à emigração dados em Outubro de 2011 pelo Secretário de Estado do Desporto.
Reforçados, nesse ano, em Novembro, por Miguel Relvas no Parlamento.
Pelo próprio Passos, em Dezembro, ainda de 2011, em entrevista ao Correio da Manhã, quando aconselhou os professores "excedentários" (quais, onde, como, com que critérios?) a abalarem para Angola ou Brasil.
Ou pelo inefável Paulo Rangel, quando sugeriu a criação de uma agência de apoio ao empurrão, perdão, à emigração dos portugueses.
Tudo isto, para Passos, são mitos urbanos.
Pois, não foi escrito, foi dito.
Mas está registado.
Por escrito.
Por vídeo.
Passos Coelho, no fundo, igual a si e ao seu governo.
Mentiroso.
Incompetente.
Ignorante. 
Colaboracionista.
Subserviemnte.
Medíocre.
Pequenino, cujo desígnio ideológico é transformar Portugal, de facto, num país pequenino, pobre, vazio de gentes e de desígnios.
Mito urbano não é o que ele, e os seus acólitos, de facto disseram.
Mito urbano é ele, Passos Coelho, acompanhado do séquito.
E, como todos os mitos, em breve se desfará em pó.
 
("Cantar de Emigração"-Adriano Correia de Oliveira)