quinta-feira, 30 de abril de 2015

A PARANÓIA AO PODER!

 
Estamos prestes a viver o mês de Maio.
Aqui há cerca de 47 anos, em Paris, estava a começar uma revolta que iria mudar a face da Europa e do Mundo, apesar de toda a recuperação que um Poder desesperado conseguiu, apesar de tudo, salvar.
De toda a iconografia desses dias mágicos de Maio de 1968, ficaram célebres as frases escritas nas paredes. Uma delas, já histórica, foi "A Imaginação ao Poder!".
Claro que neste Portugal de 2015, e com este Governo, seria exigir demasiado.
Até porque eles não sabem nem sonham, como escreveu António Gedeão.
Mas quando, perante todas as evidências, estudos, análises, depoimentos, estatísticas, se decide avançar com uma Lei só porque sim, ao arrepio de toda a lógica, é porque a paranóia e o delírio já ocupam as cadeiras do Poder.
O que leva Teixeira da Cruz, Ministra-Que-Dá-Cabo da Justiça, a insistir na aprovação da lista que divulgará nomes de agressores sexuais? 
A repudiar evidências científicas?
A pretender a aprovação de uma lei que, por decerto, será liminarmente chumbada em sede de apreciação constitucional?
A abrir caminho a perigosas retaliações na praça pública, a possíveis linchamentos, a prováveis "justiças" pelas próprias mãos, quando se sabe que a maior parte desses agressores estão no seio das próprias famílias?
Só teimosia, ignorância e populismo q.b. para agradar aos "cidadões", tal como Cavaco disse.
E tudo isto abre um precedente muito, muito perigoso, se extrapolado para outras situações...
O que vale é que, para um tema tão polémico, o PSD aplicou a disciplina de voto, e não a liberdade de votar de acordo com a consciência de cada um.
A cagufa envergonhada é muito bonita...  

A LOUCURA AO PODER!



Estavas lindo PSD posto em sossego, dos teus anos de (des)governo sacando o doce fruito, naquele encanto de alma ledo e cego que a fortuna não deixa durar muito...
E não durou porque, a 21 de Abril, um grupo de 12 economistas, a convite do PS, apresentou um cenário macro-económico para os próximos anos, diferente da narrativa oficial do actual poder, a que se deu o nome de "Uma Década Para Portugal".
E foi o salve-se quem puder na coligação que, apressadamente, renovou os votos de fidelidade ajuramentada, de papel passado, assinado pelos nubentes Pedro & Paulo.
Mas como se não chegasse, esse monstro de inteligência, de cultura acima da média, de faro político superior a um rafeiro, que dá pelo imperial nome de Marco António Costa, lembrou-se de outra boa malha:
Passar pelo crivo auditor do CFP (Conselho das Finanças Públicas) e UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental), esta adstrita ao Parlamento, o referido trabalho dos economistas.
O que não deixa de ser curioso, já que tal documento não é, ainda, um programa político, apenas uma base de discussão, passível de alterações ou de novas propostas, após debate e aprovação pelos órgãos próprios do partido que a encomendou, no caso o PS.
Por outro lado, a análise de propostas parece ainda não fazer parte das competências daqueles dois órgãos (vd., em anexo, as suas competências).
A ser assim, porque não solicitar, também, a auditoria aos programas do PSD/CDS ( a estas horas já recambiado para Bruxelas....), do PCP, do Bloco, do Livre, do MRPP, até mesmo, as elucubrações de Marinho e Pinto ou Paulo Morais.
Era um fartote, e o CFP, a UTAO, até, já agora porque não?, o Tribunal Constitucional não teriam mãos e pés a medir.
Mesmo para o delírio tem de haver limites....mesmo que Cavaco Silva encolha os ombros a isto tudo.
Mas, com isto tudo, Marco António, o grande estratego, prestou, à oposição, um grande favor. 
Ao exigir a submissão daquele trabalho ao crivo daqueles organismos, acabou por elevar o PS à categoria de partido de governo, efectivo, e o documento "Uma Década Para Portugal" a Orçamento de Estado para, pelo menos, os próximos três anos.
É obra!
Assim, quando as TV's voltarem a focar esse Marco miliário, empedernido, lá estará, por detrás, rosto escancarado em sorriso alarve, fixando a objectiva, clone de emplastro, o inefável Aníbal de Boliqueime.   
("Como se faz um Canalha" - José Afonso)
EM ANEXO : Atribuições do CFP e da UTAO

segunda-feira, 27 de abril de 2015

GONÇALO MALHEIRO : MAIS UM "LOBO" DA NOSSA MEMÓRIA

 
No passado sábado, Direito conquistou, pela 10ª. vez, o título de campeão nacional de Rugby (Divisão de Honra).
E, nesse dia, despediu-se da modalidade Gonçalo Malheiro, um dos imortais "lobos" que representaram a Selecção Nacional no inolvidável Mundial de 2007 em França.
Autor de mais de 260 pontos na sua carreira,. Malheiro foi o autor do histórico pontapé de ressalto no jogo contra a Nova Zelândia, jogo que, no planeta do Rugby, continua a ser recordado como um grande exemplo da nobreza e amor à camisola que este desporto transmite a quem o pratica e a quem o vê e aplaude.
Refira-se, ainda, que Gonçalo Malheiro vestiu por três vezes a mítica camisola dos Barbarians, clube sediado em Inglaterra que, para os seus jogos, convida jogadores de diversas origens, desde All Blacks e Springbocks a....portugueses!
Obrigado por tudo Gonçalo Malheiro.
E já temos saudades....

ASSIM FOI A 25 DE ABRIL...

 
Então, no passado dia 25 de Abril, o venerando chefe do Estado a que isto chegou, o senhor Aníbal de Boliqueime, abriu a boca e não disse nada. Falou de umas generalidades, apoiou o governo a cem por cento, e, pela centésima vez apelou ao consenso em volta dessa mesmo governo.
Pois....
Então não é que o homem desta vez acertou?
Na tarde desse mesmo dia, Passos & Portas, renovavam os votos desta CUligação que (des)governa, chegando assim a um amplo consenso.
Cavaco, por uma vez em trinta e cinco anos acertava uma.
Habemus consensus.
E vê-se sair, das chaminés de Belém, um fumito branco, altamente tóxico.

sábado, 25 de abril de 2015

VIVA O 24 DE ABRIL!

 
Que o Governo e a maioria que o suporta queiram cercear a liberdade de informação e de expressão, não admira nada.
Afinal trata-se do mais retrógrado, incompetente e inculto conjunto de "governantes" desde o 25 de Abril.
Pelo menos...
De facto, nada melhor do que reinstaurar o "exame prévio" ou, sem ambiguidades, a censura, e a auto-censura, para apascentar as almas e não se levantarem ondas incómodas e questões delicadas que, em campanha eleitoral, podem surgir à tona de água.
Assim, o salazarento projecto de decreto-lei sobre a cobertura jornalística em campanhas eleitorais está, ideologicamente, ancorado nesta direita tresloucada que rasteja por São Bento e Belém.
Agora que o maior partido da oposição também venha a embarcar no ridículo é que se torna inaceitável.
A menos que entre os Antónios seja tudo igual, menos nos apelidos...
Se o secretário-geral do PS declara não estar de acordo com o projecto em causa, então porque é uma deputada o subscreve?
Existem dois partidos, duas facções?
Se é  certo que a esquerda é, por sua natureza, local de debate ou de polémica, as mesmas param quando, mesmo diante do nariz, estão eleições legislativas e presidenciais. Aí, o que está na ordem do dia é a tomada do poder. E fazer diferente.
Apenas, e é tanto.
Este capítulo tem, de imediato, de ser encerrado, se uma oposição, mesmo que apenas em pormenores, se quer apresentar como alternativa.
Caso contrário, continuamos a ver o PS alegremente a dar a mão à direita em assuntos importantes e fracturantes (Tratado Orçamental, Abstenção "Violenta", Descida do IRC, Exame Prévio), e divergir, apenas, em questões de pormenor.
E quem queira seguir esta última hipótese, é melhor dizer, francamente, sem subterfúgios, ao que vem.
Ou, então, abandonar o barco!

25 DE ABRIL SEMPRE!

 

25 de Abril
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

(Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'O Nome das Coisas')


E a Primavera deu flor em Abril....


sexta-feira, 24 de abril de 2015

ABRIL EM ABRIL - IV - 24 DE ABRIL

 
Dia 24 de Abril de 1974.
Véspera do Dia Primeiro.
O Regime preparava, para o dia seguinte, a organização das I Jornadas de Emprego, a serem inauguradas pelo outro zombie de Belém, o inenarrável Américo Thomaz.
Diziam eles que "Reina a ordem em todo o País"...
 
OUVINDO BEETHOVEN

Venham leis e homens de balanças,
Mandamentos daquém e dalém mundo,
Venham ordens, decretos e vinganças,
Desça o juiz em nós até ao fundo.

Nos cruzamentos todos da cidade,
Brilhe, vermelha, a luz inquisidora,
Risquem no chão os dentes da vaidade
E mandem que os lavemos a vassoura.

A quantas mãos existam, peçam dedos,
Para sujar nas fichas dos arquivos,
Não respeitem mistérios nem segredos,
Que é natural nos homens serem esquivos.

Ponham livros de ponto em toda a parte,
Relógios a marcar a hora exacta,
Não aceitem nem votem noutra arte
Que a prosa de registo, o verso data.

Mas quando nos julgarem bem seguros,
Cercados de bastões e fortalezas,
Hão-de cair em estrondo os altos muros
E chegará o dia das surpresas.
  (José Saramago)
 
E o "dia das surpresas" já estava mesmo a chegar, ainda nesse dia 24.
Mais exactamente pelas 22 horas e 55 minutos, através das ondas dos Emissores Associados de Lisboa.
 
(Paulo de Carvalho - "E Depois do Adeus")

Para que a memória se mantenha viva!
Sempre!