terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
QUE A UE SE F...
Segundo parece, Victoria Nuland, vice-secretária de Estado dos EUA para os Assuntos Europeus, terá dito, em conversa privada com o embaixador americano em Kyiv, e relativamente à situação na Ucrânia, e às diligências da diplomacia da União Europeia, "Que a UE se f.....".
A UE reagiu como virgem ofendida.
Merkel declarou que as declarações eram "inaceitáveis".
Rompuy, ide idem, aspas aspas.
Barroso, talvez.
Ashton não comentava "conversas privadas".
Schultz pode ser que sim.
Mas qual é a surpresa?
Obama apanha o avião para Bruxelas.
Putin chega ao aeroporto de Bruxelas.
Xi Jinping já está sentado na sala de reuniões de Bruxelas.
E quem têm pela frente?
Herman van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, o que faz ele, para além de guardar os sobretudos e arrumar as cadeiras?
Ou Durão Barroso, todo salamaleques, dito presidente da Comissão Europeia, joguete do grupo do Norte?
Ou Martin Schultz, presidente do Parlamento Europeu, com que poderes?
Ou será Catherine Ashton, dita Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, com aquele ar de honesta inglesa a servir o chá das cinco?
Afinal, a uma voz, Obama, Putin e Xi, querem saber,
Quem é quem na UE e faz o quê?
Quem representa, a uma só voz, a UE?
Quem, a uma só voz, responde por 28 cabeças pensantes?
O que é a política de Negócios Estrangeiros da UE ? E existe essa política?
O que é a Política de Segurança da UE? E é só uma Política?
Rompuy, Barroso, Schultz e Ashton olham uns para os outros, atónitos.
E falam todos ao mesmo tempo.
Rompuy em flamengo, Barroso em português, Schultz em alemão, Ashton em inglês.
Até que, na sala, irrompe Merkel: "Auslander Raus!!! Que a UE se f....!"
E Rompuy, Barroso, Schultz e Ashton baixam a cabeça, mãos atrás das costas, abandonam a sala.
E Obama, Putin e Xi, entre si clamam a uma voz : "Que a UE se f....!"
E no domingo a Suíça disse: "Que a UE se f....!".
E será que ouviremos a voz da França, com Marine Le Pen, a dizer: "Que a UE se f.....!"?
Ou a Grã-Bretanha, eurocéptica: "Que a UE se f....!".
No fundo, a verdade é que a primeira a dizer "Que a UE se f....!" foi...a própria UE!
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
BRECHT
Sem ele, e passe o exagero, não havia teatro moderno.
Sem peças como "Baal", "Um Homem é um Homem", "A Ópera dos Três Vinténs", "Galileo Galilei", "A Excepção e a Regra", "Mãe Coragem e os seus Filhos", "A Boa Alma de SetSuan" ou "O Círculo de Giz Caucasiano", entre muitas outras peças, ou "experiências sociológicas" como lhes chamava, que seria do repertório das grandes salas de Teatro de todo o Mundo?
O seu autor nasceu a 10 de Fevereiro de 1898 em Augsburgo, na Baviera, e chamou-se Bertolt Brecht.
Brecht, influenciado pela prática e teoria de Maiakovsky, Piscator, Meyerhold, do teatro chinês, da linguagem gestual de Chaplin, dos fundamentos ideológicos do marxismo, transformou a forma de estar e pensar o teatro.
O drama representado passou a aglutinar não só o texto, que, na sua concepção, deveria ser pedagógico, no sentido de consciencializar e politizar o espectador, como também a encenação, o cenário, a representação, tanto ao nível da voz como do corpo, a música, e todos os aspectos que envolvessem as obras apresentadas. Tal como Wagner defendia a ópera como um acto único, também, à sua medida, Brecht concebia a representação teatral como um todo, e com uma finalidade bem concreta, que seria a de despertar a reflexão e o convite à interpretação e resolução dos problemas apresentados em palco. O espectador seria também parte interveniente do drama, não se limitando a ver mas, também, a pensar e, em consequência, a actuar.
A sua concepção dramática foi posta em prática, nomeadamente, na companhia de teatro que fundou, a mundialmente conhecida "Berliner Ensemble", de 1954 a 1955, um ano antes de morrer.
Hoje, Brecht é representado e aclamado em todas as latitudes e longitudes.
Escreveu, também, ensaios e poemas, muitos destes musicados, em profícua colaboração com o compositor Kurt Weil, que também contribuiu para as obras teatrais.
Assinale-se que uma das grandes intérpretes das suas "Canções" é a alemã Ute Lemper que, no próximo dia 21 poderemos admirar no CC Belém, onde interpretará outro gigante da literatura mundial, o chileno Pablo Neruda.
"LOUVOR DO APRENDER
Aprende o mais simples! Pra aqueles
Cujo tempo chegou
Nunca é tarde de mais!
Aprende o abc, não chega, mas
Aprende-o! E não te enfades!
Começa! Tens de saber tudo!
Tens de tomar a chefia!
Aprende, homem do asilo!
Aprende, homem na prisão!
Aprende, mulher na cozinha!
Aprende, sexagenária!
Tens de tomar a chefia!
Frequenta a escola, homem sem casa!
Arranja saber, homem com frio!
Faminto, pega no livro: é uma arma.
Tens de tomar a chefia.
Não te acanhes de perguntar, companheiro!
Não deixes que te metam patranhas na cabeça:
Vê c'os teus próprios olhos!
O que tu mesmo não sabes
Não o sabes.
Verifica a conta:
És tu que a pagas.
Põe o dedo em cada parcela,
Pergunta: Como aparece isto aqui?
Tens de tomar a chefia. "
( Bertolt Brecht - "Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e Outros Poemas")
Cujo tempo chegou
Nunca é tarde de mais!
Aprende o abc, não chega, mas
Aprende-o! E não te enfades!
Começa! Tens de saber tudo!
Tens de tomar a chefia!
Aprende, homem do asilo!
Aprende, homem na prisão!
Aprende, mulher na cozinha!
Aprende, sexagenária!
Tens de tomar a chefia!
Frequenta a escola, homem sem casa!
Arranja saber, homem com frio!
Faminto, pega no livro: é uma arma.
Tens de tomar a chefia.
Não te acanhes de perguntar, companheiro!
Não deixes que te metam patranhas na cabeça:
Vê c'os teus próprios olhos!
O que tu mesmo não sabes
Não o sabes.
Verifica a conta:
És tu que a pagas.
Põe o dedo em cada parcela,
Pergunta: Como aparece isto aqui?
Tens de tomar a chefia. "
( Bertolt Brecht - "Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e Outros Poemas")
domingo, 9 de fevereiro de 2014
A INVASÃO BRITÂNICA
"The british are coming, the british are coming!". Esta frase insere-se numa das muitas lendas que perpassam pela história da Guerra da Independência dos Estados Unidos, independência arrancada ao Império Britânico.
Mas dois séculos depois, os ingleses invadem os Estados Unidos! E com sucesso!
No dia 9 de Fevereiro de 1964, "The Beatles" actuaram no famoso programa televisivo "The Ed Sullivan Show", na cadeia televisiva CBS.
Consta que 70 milhões de americanos assistiram aos espectáculo.
Os Estados Unidos pararam.
E, quando voltaram a andar, já não eram os mesmos.
The Beatles deixaram a sua marca indelével.
Para sempre.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
JOHN WILLIAMS
Steven Spielberg e George Lucas, entre outros cineastas, têm a fama e os seus filmes espalhados pelo mundo.
Grande parte do seu êxito deve-se a um homem nascido a 8 de Fevereiro de 1932 em Flushing Meadows, Nova Iorque, que ao Cinema deu das melhores bandas sonoras que já se ouviram.
Também autor de música erudita (concertos para fagote e orquestra, para violoncelo, para trompete, para violino e flauta, para trompa), foi, no entanto, a Sétima Arte que o projectou para o grande público.
Recebeu 49 nomeações para Óscar (este ano está nomeado por "A Rapariga que Roubava Livros", o que só Walt Disney supera, e recebeu 5 estatuetas, a primeira pela melhor banda sonora adaptada: "Um Violino no Telhado". 1971, de Norman Jewison:
E em 1975 com "O Tubarão", de Spielberg:
E em 1977 com "A Guerra da Estrelas", de George Lucas:
Em 1982 com "E.T. - O Extraterrestre", de Spielberg:
E, finalmente (até agora...), com "A Lista de Schindler", em 1993, também de Spielberg:
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
CHARLES DICKENS
"Ninguém pode pensar que falhou a sua missão neste mundo, se aliviou o fardo de outra pessoa."
Esta frase é de Charles Dickens, nascido em Portsmouth a 7 de Fevereiro de 1812, considerado um dos maiores escritores britânicos de sempre.
Com uma infância e juventude difíceis, tendo vivido na então pobre Camden Town, em Londres, e começado a trabalhar aos 12 anos, veio a beneficiar de uma herança de família para poder estudar, tornar-se estenógrafo de tribunal, advogado e jornalista.
A sua memória de pessoas, acontecimentos e lugares que marcaram a sua vida, os livros que ia lendo, e o seu talento para a escrita, juntaram-se para produzir uma obra única durante a chamada Era Vitoriana, de que foi o mais alto expoente.
Nos seus livros denunciou as miseráveis condições de trabalho do operariado inglês, especialmente em Londres, que é uma das grandes personagens dos seus escritos, a chaga da exploração esclavagista das crianças, a corrupção dos tribunais, a situação degradante das prisões.
Dickens expôs, com personagens tipicamente britânicas, todas as chagas sociais decorrentes da Revolução Industrial, de forma realista e apaixonada, que alguns críticos consideraram, no entanto, um pouco exagerada e com situações inverosímeis. Como se a vida não fosse cheia de inverossimilhanças.
Numa altura em que Engels publicara "A situação da classe operária em Inglaterra" (1845), Dickens aborda estes temas, apelando e sugerindo soluções reformistas e não revolucionárias, como decorre dos trajectos das suas inúmeros e ricos retratos sociais.
A opinião pública acorda para as situações expostas nos seus romances, o autor é consagrado e aclamado e lança as pontes para a continuação da temática social na literatura britânica, com escritores como Thomas Hardy ou Samuel Butler.
"As Aventuras do Sr. Pickwik", "Oliver Twist", "Um Conto de Natal", "Tempos Difíceis", "Grandes Esperanças", "Um Conto de Duas Cidades", "Nicholas Nickleby" ou "David Copperfield" são hoje lidos em todo o mundo, com múltiplas adaptações em banda desenhada, cinema e televisão.
Encontra-se sepultado na Abadia de Westminster, no "Canto dos Poetas", podendo ler-se no seu túmulo:
"Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos; e, com a sua morte, um dos maiores escritores de Inglaterra desaparecia para o mundo".
Com uma infância e juventude difíceis, tendo vivido na então pobre Camden Town, em Londres, e começado a trabalhar aos 12 anos, veio a beneficiar de uma herança de família para poder estudar, tornar-se estenógrafo de tribunal, advogado e jornalista.
A sua memória de pessoas, acontecimentos e lugares que marcaram a sua vida, os livros que ia lendo, e o seu talento para a escrita, juntaram-se para produzir uma obra única durante a chamada Era Vitoriana, de que foi o mais alto expoente.
Nos seus livros denunciou as miseráveis condições de trabalho do operariado inglês, especialmente em Londres, que é uma das grandes personagens dos seus escritos, a chaga da exploração esclavagista das crianças, a corrupção dos tribunais, a situação degradante das prisões.
Dickens expôs, com personagens tipicamente britânicas, todas as chagas sociais decorrentes da Revolução Industrial, de forma realista e apaixonada, que alguns críticos consideraram, no entanto, um pouco exagerada e com situações inverosímeis. Como se a vida não fosse cheia de inverossimilhanças.
Numa altura em que Engels publicara "A situação da classe operária em Inglaterra" (1845), Dickens aborda estes temas, apelando e sugerindo soluções reformistas e não revolucionárias, como decorre dos trajectos das suas inúmeros e ricos retratos sociais.
A opinião pública acorda para as situações expostas nos seus romances, o autor é consagrado e aclamado e lança as pontes para a continuação da temática social na literatura britânica, com escritores como Thomas Hardy ou Samuel Butler.
"As Aventuras do Sr. Pickwik", "Oliver Twist", "Um Conto de Natal", "Tempos Difíceis", "Grandes Esperanças", "Um Conto de Duas Cidades", "Nicholas Nickleby" ou "David Copperfield" são hoje lidos em todo o mundo, com múltiplas adaptações em banda desenhada, cinema e televisão.
Encontra-se sepultado na Abadia de Westminster, no "Canto dos Poetas", podendo ler-se no seu túmulo:
"Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos; e, com a sua morte, um dos maiores escritores de Inglaterra desaparecia para o mundo".
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
ANTÓNIO VIEIRA
Hoje é um dia que, para nós portugueses, deveria ser de leitura e reflexão.
Especialmente nestes dias cinzentos de chuva e mais cinzentos ainda pelo chumbo que nos querem fazer pesar nos ombros. Falta quem, com eloquência, dê a voz aos oprimidos e discriminados.
Quem, além de contestar, o faça com o brilho que a Língua Portuguesa o permite, como poucas no mundo.
Como, por exemplo, um vulto da grandeza do Padre António Vieira, nascido em Lisboa a 6 de Fevereiro de 1608.
Religioso, filósofo, escritor e orador, António Vieira é uma das figuras máximas da nossa cultura, e também da brasileira.
Missionário no Brasil, membro da Companhia de Jesus, defendeu tenazmente os direitos dos indígenas, combatendo a exploração e a escravidão. Também se bateu pelos direitos dos judeus em Portugal, lutou pela abolição da distinção entre cristãos-novos e os restantes católicos tradicionais, e pela abolição da escravatura.
Teve a coragem de criticar o clero do seu tempo e os métodos da Inquisição, que pretendeu acusá-lo de heresia, tendo em conta a sua visão sobre o chamado Quinto Império e o mito Sebastiânico (que, entre outros, seria seguida por um tal Fernando Pessoa).
António Vieira, a ler, e a reflectir e inspirar-nos sobre a sua obra.
Deixou-nos cerca de 700 cartas e mais de 200 sermões.
Como o clássico "Sermão de Santo António aos Peixes", proferido em 1654 em São Luís do Maranhão, Brasil.
Sermões que são um clássico da literatura mundial e nos quais, com raro brilhantismo, criticou os podres do seu tempo. Ou do nosso tempo?
"Já se os homens se comeram somente depois de mortos,
parece que era menos horror e menos matéria de sentimento. Mas para que
conheçais a que chega a vossa crueldade, considerai, peixes, que também
os homens se comem vivos assim como vós. Vivo estava Job, quando dizia:
Quare persequimini me, et carnibus meis saturamini? «Porque me perseguis
tão desumanamente, vós, que me estais comendo vivo e fartando-vos
da minha carne?» Quereis ver um Job destes?
Vede um homem desses que andam perseguidos de pleitos ou acusados
de crimes, e olhai quantos o estão comendo. Come-o o meirinho, come-o
o carcereiro, come-o o escrivão, come-o o solicitador, come-o o advogado,
come-o o inquiridor, come-o a testemunha, come-o o julgador, e ainda não
está sentenciado, já está comido. São piores os
homens que os corvos. O triste que foi à forca, não o comem os
corvos senão depois de executado e morto; e o que anda em juízo,
ainda não está executado nem sentenciado, e já está
comido.
E para que vejais como estes comidos na terra são os
pequenos, e pelos mesmos modos com que vós comeis no mar, ouvi a Deus
queixando-se deste pecado: Nonne cognoscent omnes, qui operantur iniquitatem,
qui devorunt plebem meam, ut cibum panis? «Cuidais, diz Deus, que não
há-de vir tempo em que conheçam e paguem o seu merecido aqueles
que cometem a maldade?» E que maldade é esta, à qual Deus singularmente
chama maldade, como se não houvera outra no Mundo? E quem são
aqueles que a cometem? A maldade é comerem-se os homens uns aos outros,
e os que a cometem são os maiores, que comem os pequenos: Qui devorant
plebem meam, ut cibum panis."
(Excerto do "Sermão de Santo António aos Peixes")
BOB MARLEY
Hoje é feriado nacional na Jamaica.
Há 69 anos nascia, na ilha de Usain Bolt, o filho mais querido da pérola das Caraíbas: Bob Marley.
("No Woman, No Cry")
Bob foi cantor, guitarrista, compositor, figura ímpar e ícone do reggae.
Colocou a música da Jamaica, e o próprio país, no mapa do mundo.
É considerado o maior artista do 3º. Mundo, e a "Rolling Stone" classificou-o como o 11º. melhor cantor de sempre.
Cresceu e viveu numa favela, conheceu a pobreza e a humilhação, a juventude foi difícil.
("Get Up, Stand Up!")
Consequentemente, Marley sempre se debruçou, e cantou, os problemas dos pobres e oprimidos. Defendeu as ideias de paz, irmandade, igualdade social, libertação, resistência, liberdade e amor. E contra qualquer herança de colonialismo ou neo-colonialismo, bebendo muito daquilo que era a teoria do chamado "movimento rastafári", nascido na sua Pátria.
Foi a voz que expôs e denunciou fracturas sociais e políticas, que defendeu os povos negros, na Jamaica e em África.
("I Shot The Sheriff")
Tornou-se referência musical e cultural do Terceiro Mundo. Respeitado e admirado pelos seus pares, como Paul McCartney, Mick Jagger ou Eric Clapton.
A sua casa na Jamaica era ponto de encontro para discussão de músicas e ideias e, não poucas vezes, distribuía dinheiro e comida por quem de tal necessitasse.
Em 1979 publicou o seu trabalho mais politizado, "Survival", dedicado aos problemas sociais e políticos de África. Foi censurado na África do Sul do apartheid.
("Africa Unite")
Foi este Homem que lutou pela Paz, pela Igualdade, pelo Amor, nos deixou a 11 de Janeiro de 1981, vítima de cancro.
Os humilhados do Terceiro Mundo levantam a sua bandeira.
("One Love")
"As pessoas que fazem de tudo para piorar o mundo não descansam. Porque eu, que quero melhorar o mundo tenho de descansar?" (frase de Bob Marley, num concerto, após ter sido alvejado a tiro, dias antes, durante uma campanha eleitoral na Jamaica)
("Redemption Song")
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