sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

JÚLIO POMAR, PARABÉNS!

Parabéns a Júlio Pomar, talvez a maior figura viva da nossa cultura, que hoje completa 88 anos.
Sobre ele e a sua obra, já este blog se debruçou.
Figura incontornável da nossa cultura, tanto do século XX como do XXI, este imenso criador que, em 1963, trocou a sua Lisboa pela sua Paris, bem merece que olhemos de olhos abertos a sua vasta obra.
Quem more, ou venha a Lisboa, tem por onde escolher.
Apenas como meras e breves referências, o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian onde, por exemplo, se pode admirar esse marco indelével do neo-realismo português, de 1947, "O Almoço do Trolha":
 
E se optar por andar de metro, pare na estação de Alto dos Moinhos, onde se poderá admirar o conjunto de painéis executado em 1988:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/37/MetroAltoMoinhos10.JPG
 
 
Ou, e também, um convite à deambulação pela Avenida Infante Santo:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/04/Pomar%2C_J%C3%BAlio%2C_painel_de_azulejos%2C_c_1958%2C_Av_Infante_Santo%2C_Lisboa.jpg 

Entretanto, se precisarem de uns trocos para continuarem o passeio, dirijam-se à sede da Caixa Geral de Depósitos, na Avenida João XXI, onde receberão, como sempre, atendimento de excelência, e aproveite-se para admirar, no átrio, o painel de tapeçarias, datado de 1994:
 
Mas, no fundo, nada melhor que terminar o périplo no novinho Atelier-Museu Júlio Pomar, inaugurado o ano passado, com risco de Siza Vieira, e situado no nº.7 da Rua do Vale, perto do velho Liceu Passos Manuel e cruzando com a Rua dos Poiais de S.Bento.
 

E no fim desta pequena peregrinação, ficamos certos que, em mais um dia, aprendemos muito mais.
Graças a Mestre Júlio Pomar!    

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

JOAN BAEZ

 
Nasceu a 9 de Janeiro de 1941 em Staten Island (Nova Iorque).
Chama-se Joan Baez e foi uma das grandes vozes femininas dos anos 60 do século passado, pelas suas baladas e canções folk, e pela sua militância pela paz e contra a guerra do Vietnam.
Com voz de soprano, atingiu a notoriedade e o êxito em 1959 no Newport Folk Festival, tendo também participado no mítico festival de Woodstock (1969).
No entretanto, gravou 11 álbuns, divulgando o folk norte-americano o, aventurando-se também por outras paragens gravando também obras do grande compositor brasileiro Heitor Villalobos.
Cantou muitas vezes com Bob Dylan, cujo trabalho também ajudou a divulgar, no início da carreira deste.
("One day at a time" - 1968)
Até meados dos anos 80, continuou a apresentar-se regularmente em espectáculos, e a gravar para editoras de prestígio e renome.
Nessa década, passou a trabalhar com pequenas marcas e estúdios independentes, nunca deixando de actuar para o seu público fiel.
O seu último disco foi lançado já em 2008 ("Day After Tomorrow").
Por toda a sua carreira, vale a pena convidar as pessoas para escutarem esta trovadora da América. 
 
("The Night They Drove Old Dixie Down" - 1971)
  ("The Day After Tomorrow"- 2008)

SIMONE DE BEAUVOIR

Nestes dias de fácil mediatismo e sucesso pipoqueiro, vale a pena parar um pouco.
Aproveitar estes dias de chuva e vento e, por exemplo, ler.
Ler é aprender, aprender sempre e todos os dias.
Como, por exemplo, ler a obra desta grande Senhora da cultura europeia e mundial que é Simone de Beauvoir, nascida em Paris a 9 de Janeiro de 1908, e onde viria a falecer a 14/08/1986.
Brilhante estudante universitária, foi a mais jovem licenciada em Filosofia, aos 21 anos, pela Universidade de Paris.
Ali conheceu o companheiro de toda uma vida, o filósofo existencialista Jean Paul-Sartre, embora a sua relação não se possa tipificar como a de um casal clássico.
Firme e militante lutadora pela dignidade da condição feminina, acompanhou e apoiou todos os movimentos nesse sentido, bem como todas as lutas pela liberdade e justiça tendo, por exemplo, na companhia de Sartre, visitado Portugal logo após o 25 de Abril.
Com o romance "O Mandarim", viria a conquistar o Prémio Goncourt em 1954.
Com o ensaio "O Segundo Sexo" (1949), apresenta-nos uma reflexão profunda sobre a mulher e sobre a condição feminina na sociedade contemporânea. E com o ensaio "A Velhice" (1970), analisa, crítica e apaixonadamente, o modo como essa mesma sociedade trata os seus anciãos.
Neste dia em que se evoca o seu nascimento, deixam-se estas pistas, para quem queira ler um pouco de Simone de Beauvoir. E aprender.  




quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

GALILEO GALILEI

 
Nasceu em Pisa e morreu em Florença a 8 de Janeiro de 1642.
Físico, astrónomo, matemático e filósofo, foi um dos grandes responsáveis pela renovação científica e lançou as bases do método científico, onde Newton e seguintes foram beber.
Estabeleceu as leis do movimento uniformemente acelerado, estudou e teorizou o movimento do pêndulo, foi responsável pelas leis dos corpos e o princípio da inércia. Melhorou consideravelmente o telescópio refractor, com o qual teorizou sobre as manchas solares e observou, pela primeira vez, as montanhas da Lua, as fases de Vénus, quatro satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e as estrelas da Via Láctea.
Inventou a balança hidrostática, o compasso geométrico e o termómetro dito de Galileu.
Defendeu o método empírico contra o método aristotélico e aplicou a teoria do heliocentrismo (que defendia que era a Terra a girar à volta do Sol e não o contrário) à interpretação de passagens da Bíblia,  o que lhe valeu a perseguição pela Igreja Católica, então em luta acesa com a Reforma Protestante, e que não admitia que o desenvolvimento das ciências colidisse com os sacros princípios teológicos.
Julgado pelo Santo Ofício por heresia, foi forçado a abjurar os seus princípios e condenado à morte, sentença depois comutada para retiro perpétuo e vigiado, atendendo à sua idade e à sua débil saúde .
Diz a lenda que, no fim do julgamento, terá sussurrado "Eppur si muove" ("No entanto move-se"), referindo-se à Terra.
Proibidos pela Igreja, os seus trabalhos foram publicados na Holanda, despertando o interesse do mundo científico da época.
Galileu ficará para sempre como um dos pilares do moderno mundo científico, enquanto os seus algozes caem no opróbio e esquecimento.
Ah, é verdade: A Igreja Católica "absolveu" Galileu em 1983! Há momentos em que mais vale estar calado!

Em homenagem a esse grande homem da Cultura, junta-se o poema dedicado a Galileu, de outro grande vulto Cultural, António Gedeão (Rómulo de Carvalho)

"Poema Para Galileu"

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.

Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos."
   

ELVIS "THE PELVIS"

 
Nasceu a 8 de Janeiro de 1935 em East Tupelo, no Mississipi, um dos estados mais pobres da União.
Morreu a 16 de Agosto de 1977 na sua mansão de Graceland, em Memphis, Tennessee.
Chamava-se Elvis Aaron Presley e foi, apenas, o Pai do Rock.
("Hound Dog")
Falemos de Beatles, Rolling Stones, Who, Pink Floyd, Nirvana, R.E.M., Oasis, Pearl Jam, Queen, tudo o que vos venha à cabeça na área do rock, e temos um denominador comum: Elvis Presley.
Com uma voz potente e colocada, como não se ouvira até aí, explode com o rockabilly (fusão de country e rock'n'roll), bebe no gospel e rhytm'n blues, molda-se com Dean Martin, com quem viria a cantar, assim como com os outros "Rat Pack" (Sinatra e Sammy Davis Jr.) e a ópera que adorava. E surpreende a América.
É o artista que mais discos vende, desde sempre (mais de um bilião), e a primeira mega-star da música popular.
("Blue suede shoes")

A partir de meados dos anos 50 do século passado, Elvis irrompe nas rádios, televisões, salas de espectáculos.
Para uma América moralmente repressiva e puritana, Elvis é perturbador, pelos seus movimentos em palco, chegando-se ao ponto de, nesses tempos, apenas ser filmado da cintura para cima. Por outro lado, o reaccionarismo branco nunca lhe perdoou ter entrado nos terrenos do gospel negro e ter interpretado temas deste género musical. Curiosamente, a minoria negra também o censurava, já que, no seu entender, apenas os negros poderiam cantar gospel. O que desmistifica um pouco o Elvis "bom rapaz" que querem fazer passar.
(In the ghetto")

A suas performances eram explosivas e arrastavam multidões. Para a época era um case study para sociólogos e psicanalistas.
Elvis "inventou" uma nova estética e uma nova cultura, que se projectaria nos anos seguintes, sem parar.


("Jailhouse Rock")

Não obstante ficar permanentemente "amarrado" ao rock, graças ao facto de ser um cantor com uma rítmica ecléctica, como poucos, Elvis também se notabilizou noutros géneros de canções, que tiveram enorme sucesso, nomeadamente nos espectáculos que, a partir de 1969, proporcionava em Las Vegas que foi como sua segunda casa.
("Love me Tender")

Refira-se, a título de curiosidade, que a sua mansão, "Graceland", foi, em 2006, classificado como lugar histórico americano.
De igual modo, o próprio Elvis, mais que "lugar", é um património histórico da nossa cultura.
O começo de uma aventura infinita. Eterna.
("Falling in love with you")  


  

 

"CAMALEÃO" BOWIE

 
Nasceu em Londres a 8 de Janeiro de 1947.
É músico, actor, produtor, "camaleão" das artes, performer único.
Vezes sem conta apareceu como tendo vindo de Marte, mas passeou pelo espaço.

 
("Space Oddity", do album homónimo - 1969)

Músico inovador, irreverente, assumidamente provocador, mas que guardava também uma personalidade profundamente intelectual e atenta.Inventa, reinventa, transformou por completo a apresentação visual nos concertos.
Criou alter-egos ("Ziggy Stardust" , "Thin White Duke"), estudou mímica e teatro de avant-garde de propósito para aperfeiçoar a sua técnica.

("Starman" - do álbum "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars"-1972)

Passou pelo rock, glam-rock, rock psicadélico, anunciou o punk ("Diamond Dogs", 1974), entrou no New Romanticism, trabalhou drum and bass, industrial, explorou novos estilos musicais, andou pelas drogas, misticismo, cabala, nazismo, que viria a renegar com veemência, embora tenha gravado a que viria a ser chamada "Trilogia de Berlim", mas onde reflectia, afinal, a tragédia do Muro.
 
("Heroes", do album do mesmo nome -1977- 2º. trabalho da "Trilogia de Berlim")

Influenciado por Elvis Presley, The Beatles, os Stones, Velvet Underground, Little Richard, Kraftwerk, Iggy Pop, Brian Eno, Lou Reed, Queen, trabalhando com estes quatro últimos e, também, com John Lennon, para além de outros comparsas, afinal viria a ser apenas, David Bowie, cujo génio acenderia centelhas em Lady Gaga, Nirvana, Nine Inch Nails, The Cure, o próprio Lennon, Boy George, Marylin Manson, The Cure e, até, o compositor clássico Philip Glass que, inspirado pelos álbuns "Low" e "Heroes" (que, com "Lodger", formariam a Trilogia de Berlim), compôs as suas 1ª. e 4ª. Sinfonias.
Em 1983 é um dos principais intérpretes de "Feliz Natal, Mr.Lawrence", filme de Nagima Oshima, e cujo "Major Jack Celliers" é uma espantosa composição de Bowie .
 
 
(Trailer de "Feliz Natal Mr. Lawrence - a música do filme é de Ryûichi Sakamoto) 

Acrescenta-se que Bowie trabalhou, entre 1980/81 na Broadway, onde interpretou, com êxito, o papel principal na peça "O Homem Elefante". Seria, também, o "Pôncio Pilatos" de "A Última Tentação de Cristo", de Martin Scorcese (1988)  
Também do ano de 1983 é o aclamado "Let's Dance", como que um regresso e homenagem ao "velho" rock, e uma chamada de atenção para os aborígenes da Austrália.


Em 2003 oferece-nos "Reality" onde, entre a melancolia e o humor, perpassa um olhar nostálgico, e até quase auto-crítico (de quê?) sobre toda a sua carreira.
 
Neste entretanto, David Bowie foi agraciado, em 1999, com o grau de Oficial da Ordem das Letras e Artes de França tendo, em 2003, recusado o título de Cavaleiro da Ordem do Império Britânico já que, dizia, não era para esse fim que trabalhava.
Passados 10 anos, volta a presentear-nos, em 2013 com o album "Next Day", reinventando-se permanentemente.
 
 
("The Stars Are Out Tonight" de "The Next Day" - 2013)

David Bowie, génio intemporal deste tempo que é nosso.
A ouvir, com prazer.
 
 
("Station to Station", do album do mesmo nome-1976)