quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

ELVIS "THE PELVIS"

 
Nasceu a 8 de Janeiro de 1935 em East Tupelo, no Mississipi, um dos estados mais pobres da União.
Morreu a 16 de Agosto de 1977 na sua mansão de Graceland, em Memphis, Tennessee.
Chamava-se Elvis Aaron Presley e foi, apenas, o Pai do Rock.
("Hound Dog")
Falemos de Beatles, Rolling Stones, Who, Pink Floyd, Nirvana, R.E.M., Oasis, Pearl Jam, Queen, tudo o que vos venha à cabeça na área do rock, e temos um denominador comum: Elvis Presley.
Com uma voz potente e colocada, como não se ouvira até aí, explode com o rockabilly (fusão de country e rock'n'roll), bebe no gospel e rhytm'n blues, molda-se com Dean Martin, com quem viria a cantar, assim como com os outros "Rat Pack" (Sinatra e Sammy Davis Jr.) e a ópera que adorava. E surpreende a América.
É o artista que mais discos vende, desde sempre (mais de um bilião), e a primeira mega-star da música popular.
("Blue suede shoes")

A partir de meados dos anos 50 do século passado, Elvis irrompe nas rádios, televisões, salas de espectáculos.
Para uma América moralmente repressiva e puritana, Elvis é perturbador, pelos seus movimentos em palco, chegando-se ao ponto de, nesses tempos, apenas ser filmado da cintura para cima. Por outro lado, o reaccionarismo branco nunca lhe perdoou ter entrado nos terrenos do gospel negro e ter interpretado temas deste género musical. Curiosamente, a minoria negra também o censurava, já que, no seu entender, apenas os negros poderiam cantar gospel. O que desmistifica um pouco o Elvis "bom rapaz" que querem fazer passar.
(In the ghetto")

A suas performances eram explosivas e arrastavam multidões. Para a época era um case study para sociólogos e psicanalistas.
Elvis "inventou" uma nova estética e uma nova cultura, que se projectaria nos anos seguintes, sem parar.


("Jailhouse Rock")

Não obstante ficar permanentemente "amarrado" ao rock, graças ao facto de ser um cantor com uma rítmica ecléctica, como poucos, Elvis também se notabilizou noutros géneros de canções, que tiveram enorme sucesso, nomeadamente nos espectáculos que, a partir de 1969, proporcionava em Las Vegas que foi como sua segunda casa.
("Love me Tender")

Refira-se, a título de curiosidade, que a sua mansão, "Graceland", foi, em 2006, classificado como lugar histórico americano.
De igual modo, o próprio Elvis, mais que "lugar", é um património histórico da nossa cultura.
O começo de uma aventura infinita. Eterna.
("Falling in love with you")  


  

 

"CAMALEÃO" BOWIE

 
Nasceu em Londres a 8 de Janeiro de 1947.
É músico, actor, produtor, "camaleão" das artes, performer único.
Vezes sem conta apareceu como tendo vindo de Marte, mas passeou pelo espaço.

 
("Space Oddity", do album homónimo - 1969)

Músico inovador, irreverente, assumidamente provocador, mas que guardava também uma personalidade profundamente intelectual e atenta.Inventa, reinventa, transformou por completo a apresentação visual nos concertos.
Criou alter-egos ("Ziggy Stardust" , "Thin White Duke"), estudou mímica e teatro de avant-garde de propósito para aperfeiçoar a sua técnica.

("Starman" - do álbum "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars"-1972)

Passou pelo rock, glam-rock, rock psicadélico, anunciou o punk ("Diamond Dogs", 1974), entrou no New Romanticism, trabalhou drum and bass, industrial, explorou novos estilos musicais, andou pelas drogas, misticismo, cabala, nazismo, que viria a renegar com veemência, embora tenha gravado a que viria a ser chamada "Trilogia de Berlim", mas onde reflectia, afinal, a tragédia do Muro.
 
("Heroes", do album do mesmo nome -1977- 2º. trabalho da "Trilogia de Berlim")

Influenciado por Elvis Presley, The Beatles, os Stones, Velvet Underground, Little Richard, Kraftwerk, Iggy Pop, Brian Eno, Lou Reed, Queen, trabalhando com estes quatro últimos e, também, com John Lennon, para além de outros comparsas, afinal viria a ser apenas, David Bowie, cujo génio acenderia centelhas em Lady Gaga, Nirvana, Nine Inch Nails, The Cure, o próprio Lennon, Boy George, Marylin Manson, The Cure e, até, o compositor clássico Philip Glass que, inspirado pelos álbuns "Low" e "Heroes" (que, com "Lodger", formariam a Trilogia de Berlim), compôs as suas 1ª. e 4ª. Sinfonias.
Em 1983 é um dos principais intérpretes de "Feliz Natal, Mr.Lawrence", filme de Nagima Oshima, e cujo "Major Jack Celliers" é uma espantosa composição de Bowie .
 
 
(Trailer de "Feliz Natal Mr. Lawrence - a música do filme é de Ryûichi Sakamoto) 

Acrescenta-se que Bowie trabalhou, entre 1980/81 na Broadway, onde interpretou, com êxito, o papel principal na peça "O Homem Elefante". Seria, também, o "Pôncio Pilatos" de "A Última Tentação de Cristo", de Martin Scorcese (1988)  
Também do ano de 1983 é o aclamado "Let's Dance", como que um regresso e homenagem ao "velho" rock, e uma chamada de atenção para os aborígenes da Austrália.


Em 2003 oferece-nos "Reality" onde, entre a melancolia e o humor, perpassa um olhar nostálgico, e até quase auto-crítico (de quê?) sobre toda a sua carreira.
 
Neste entretanto, David Bowie foi agraciado, em 1999, com o grau de Oficial da Ordem das Letras e Artes de França tendo, em 2003, recusado o título de Cavaleiro da Ordem do Império Britânico já que, dizia, não era para esse fim que trabalhava.
Passados 10 anos, volta a presentear-nos, em 2013 com o album "Next Day", reinventando-se permanentemente.
 
 
("The Stars Are Out Tonight" de "The Next Day" - 2013)

David Bowie, génio intemporal deste tempo que é nosso.
A ouvir, com prazer.
 
 
("Station to Station", do album do mesmo nome-1976)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

CAVACO E A BOLA

 
(-Quem é o provinciano ao lado do Eusébio?)

Que Cavaco Silva não bate bem da bola, já se sabe.
Que não prima pelo fair-play, pelo respeito pelo adversário, também é do conhecimento geral.
Que à finta, ao disparo, ao meter o pé, prefere a cotovelada e a rasteira simulada, de igual modo é patente.
Que os seus dotes de intelectual e de pessoa da cultura deixam a desejar, é, outrossim, notório.
Daí ter soado a muito falso a declaração solene que proferiu aquando da morte de Eusébio.
Que era, de facto, um génio, um Actor único da cultura desportiva de um país e de um universo.
Tal como José Saramago, outro Artista da cultura, do burilamento da língua portuguesa, Prémio Nobel da Literatura.
Que, na hora do falecimento, não mereceu de Cavaco a mínima sílaba.
E desenganem-se aqueles que se "horrorizam" com o fenómeno desportivo, como contraponto à dita "cultura". Só se forem "intelectuais" de bancada ou de café...
Quando chegou ao Brasil, para uma série de conferências, a primeira coisa que Albert Camus fez foi ir assistir a um jogo de futebol.
A literatura, tal como o desporto, fazem parte de um todo muito maior que é a Cultura de um povo, de um país, cada uma a seu modo, mas ambas contribuindo para a formação de uma matriz identificável e própria. Com as suas cambiantes, com os aproveitamentos políticos e sociais que se queiram fazer de qualquer um destes fenómenos.
Leia-se, por favor, a admirável obra do Prof. José Esteves "O Desporto e as Estruturas Sociais", que explica muita coisa.
Por isso, se Cavaco foi pigmeu à sombra gigantesca de Saramago e quis emendar a mão com o gigante Eusébio, o problema é dele.
Saramago e Eusébio, neste momento, estão juntos no Olimpo dos Eleitos.
A Cavaco basta um bolo-rei de Boliqueime.
A Eusébio, Artista eterno, junta-se a literatura num belo poema de Manuel Alegre :

"EUSÉBIO
Havia nele a máxima tensão
Como um clássico ordenava a própria força
Sabia a contenção e era explosão
Não era só instinto era ciência
Magia e teoria já só prática
Havia nele a arte e a inteligência
Do puro e sua matemática
Buscava o golo mais que golo – só palavra
Abstracção ponto no espaço teorema
Despido do supérfluo rematava
E então não era golo – era poema."



domingo, 5 de janeiro de 2014

EUSÉBIO



Vemos, ouvimos e lemos, e não podemos ignorar, como escreveu Sophia:
Eusébio morreu!
Pode sr que sim, pode ser que não, mas julga-se que também morre uma parte da nossa mitologia, da nossa memória, das lembranças do "jogar à bola!.
Quem, como aquele que escreve estas linhas, viu Eusébio jogar, não esquece.
Era ouvir uma ópera de Verdi,
Uma sonata de Beethoven,
Admirar a pintura de Picasso,
A escultura de Miguel Ângelo,
Ler contos de Eça,
E a poesia de Sophia,
Vibrar com os épicos de Spielberg,
Ou as fintas dos argumentos de Woody Allen.
Nestes dias muito se falará e escreverá sobre Eusébio, inevitavelmente.
Para quem agora redige foi, a par de Maradona, Pélé e Cruyff, um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos e o melhor português. 
E quase sem dar por isso, como se pedisse desculpa por ser tão enorme.

Fiquemos com a memória das suas exibições.
Como poucos, Eusébio foi um Hino ao futebol.




sábado, 4 de janeiro de 2014

UMA QUESTÃO DE CALIBRE


Uma possível definição de
"Calibrar: Procedimento que consiste em ajustar o valor lido por um instrumento com o valor padrão da mesma natureza. Apresenta carácter activo pois o erro, além de determinado, é corrigido".

Donde, "recalibrar" a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) é ajustá-la.
Ou ajustar os reformados que a vão ter de pagar.
Ou ajustar, depois de ler com lupa o recibo da pensão, para corrigir a exorbitante maquia.
Ou activar o erro que foi não ter já corrigido o ajustamento do instrumento para proceder os reformados.
Ou seja lá o que for, desde que se esmifrem mais uns cêntimos a quem já foi roubado.

Já não há calibragem que valha a gente deste calibre!   

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

CAVACO ABRIU A BOCA

 
Sua Excelência dirigiu-se aos portugueses no dia 1 de Janeiro.
Abriu a boca e falou...
Patatipatata......,
O Orçamento do Estado
Bláblábláblá...........,
O Consenso nacional-unionista
Etc e tal.............,
O regresso aos mercados
Vira o disco e toca o mesmo...............,
Sua Excelência falou do aumento exponencial do desemprego?
Ou Sua Excelência referiu-se às empresas falidas e obrigadas a fechar?
Sequer dos 120.000 emigrantes forçados pelo seu governo, adeus ó vai-te embora?
Uma alusão às insolentes e abusivas interferências e tráfico de influências dos poderes económico e financeiro, vulgo Comissão Europeia, Eurogrupo, FMI ? 
Um reparo à destruição de um projecto europeu que chegou a ser um farol de esperança?
Uma palavra sobre o alastrar da mancha de pobreza e da(s) miséria(s) envergonhada(s)?
Ou talvez uma referência à desesperança e desalento que corroem o país?
Pois, não falou daquilo de que ele e o seu exclusivo governo são grandes responsáveis.
Pela incompetência,
Pela impreparação,
Pelo fanatismo ideológico, 
Pela ignorância, 
Pelo desprezo.
Mas falou do facto de devermos estar muito gratos por ainda viver em democracia e termos direito à liberdade de expressão.
Factos com os quais Sua Excelência e o seu grupo excursionista de S.Bento nada têm a ver, nem nada fizeram pelos mesmos!

Sua Excelência dirigiu-se aos portugueses no dia 1 de Janeiro.
Abriu a boca e falou...
E não disse nada!

 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

DIA MUNDIAL DA PAZ

 
Hoje é o 1º. Dia de 2014, Dia Mundial da Paz, como sempre.
No ano em que se cumprem 100 anos do início da I Guerra Mundial.
O que convida a reflectir  sobre a Paz.
Que não é só ouvir as armas caladas.
Ou os inimigos abraçados.
Paz que é termos a consciência tranquila connosco e com os outros.
Paz que é termos emprego e remuneração dignas.
Paz que é termos pão, educação, saúde, esperança, dignidade, e lutar por os ter.
Paz que é respeitar o outro, seja qual for o credo, raça, sexo, orientação política, social, sexual.
Paz que é termos direito à expressão e batermo-nos até ao fim para que o nosso adversário também o tenha.
Paz que é perdoar, mesmo que cerremos os punhos e nos saltem as lágrimas.
Paz que é sermos animalmente humanos com os animais.
Paz que é sentir este pequeno planeta como o nosso lar comum.
Paz que é sentirmos, todos os dias, que somos apenas um cidadão de um colectivo muito maior.
Paz, que é respirar todos os dias.
Ar puro.