domingo, 7 de julho de 2013

MEMÓRIAS MUSICAIS

Para amenizar um pouco ests dias de calor, de vergonha, de opróbio, de prostituição intelectual e humana, de baixeza sem limites, sabe bem limpar a alma e recordar que,
A 6 de Julho de 1971 morria um dos maiores, ou talvez o maior dos ícones do jazz, Louis Armstrong.
Um mundo maravilhoso abre-se quando o recordamos e ouvimos.

 

E a 7 de Julho de há 73 anos nascia o senhor Richard Starkey, que o mundo viria a conhecer por Ringo Starr, o rapaz dos Beatles escondido atrás da bateria, mas que foi solista em "A Little Help from My Friends".



sábado, 6 de julho de 2013

BANDALHEIRA

BANDALHEIRA : Acção de bandalho; baixeza; indignidade; situação de grande confusão e desordem.
BANDALHO: Pessoa sem pundonor; indivíduo esfarrapado; trapo grande.
(Sinónimos retirados da Infopédia, Dicionários Porto Editora.
 
(Ou de como a Brigada do Reumático ainda estrebucha, 39 anos depois de 14/03/1974)

1. Gaspar trata o rapazola Coelho abaixo de cão, imputa-lhe falta de liderança, incapacidade de coordenar o jardim infantil que dá pelo nome de Governo da República e, ao confessar por escrito a sua incompetência, e a de outros afins, bate com a porta. a Portas que, num acesso de birra pré-adolescente, não gostou da cerimónia da Brigada do Reumático, vulgo tomada de posse da Luisinha (na feliz expressão de Capitão Ferreira, Diário Económico), e escreve que sai irrevogavelmente, afirma que Passos nunca irrevogavelmente ouvia o CDS, pelo que irrevogavelmente agarrem-me senão eu mato-o.
Estava o senhor Aníbal em sossego, naquele encanto de alma ledo e cego contemplando fotografias das vacas da Graciosa, quando tudo isto lhe cai em cima.
Perante a avalanche de incompetência, irresponsabilidade, manipulação baixa, feira de vaidades que inundava a mansão de Belém; perante esta peixeirada a desenrolar-se à frente de milhões de portugueses, cansados, exangues, roubados até à medula, desempregados, sem perspectivas de futuro, sem esperança, desesperados, sem tempo nem disposição para birras de miúdos mal educados; perante o triste e sabujo episódio do avião de Evo Morales, em que mais parecíamos um posto de fronteira de chicanos às ordens dos gringos; perante as pressões impudicamente assumidas por certos serventuários do poder acoutados na comunicação social; perante a descarada intromissão em assuntos internos quer de Bruxelas, Bona, Eurogrupo, agências de rating e toda a parafernália dos que, a todo o custo, querem manter este status quo, o que fez o Sr. Silva? Lavou as mãos, deu um envergonhado raspanete aos putos, e disse para se sentarem no recreio da escola, conversarem, trocarem cromos (ministérios), e ter juízo, que para a próxima ficavam sem sobremesa, porque vinha o papão das Eleições e comia-os.

2. E Passos e Portas sentaram-se, conversaram, riram alarvemente sobre o sacrifício de todo um país, eh pá desculpa lá qualquer coisinha, porreiro pá, isto até acagaçou o povinho todo e, escutando atentamente os lacaios da comunicação social, as ordens dos gauleiter de Bruxelas e Bona, a encenação dos mercados com a farsa dos juros, a diabolização das eleições, que só são boas se formos nós sempre a ganhar, senão é um desperdício de uma pipa de massa (despudoradamente, e poucos se referiram a isso, a troika até cuspiu viperinamente que as autárquicas poderiam agravar o défice...Para bom entendedor...), os putos chegaram a acordo, irrevogavelmente. Trocaram os berlindes (ministérios), irrevogavelmente, e, perante um país perdido no meio deste telenovelístico turbilhão, irrevogavelmente acordaram que a coligação, irrevogavelmente, estava de boa saúde e, irrevogavelmente, o Governo estava para lavar e durar, Com Passos, Portas e Luisinha, irrevogalmente. E Aníbal, prazenteiro. Irrevogavelmente.

3. O triste espectáculo a que assistimos, talvez o mais confrangedor desde o início da Democracia e da tomada de posse deste des-Governo, revela bem a falta de respeito que essa gente tem pelo povo a quem, todos os dias, todas as horas se pedem sacrifícios e sobre quem, todos os minutos, é cometido o maior dos crimes, que é roubar-lhe a esperança.
O irrevogável é revogável, por que tal é ser patriota! Os fins justificam tudo, por patriotismo! Eleições nunca, porque é anti-patriótico! Vamos sacrificar-nos a continuar no Governo por patriotismo!

Coitados...Na sua imensa ignorância e falta de cultura, mal sabem que o seu patriotismo é o último refúgio dos cobardes!   


      


domingo, 23 de junho de 2013

PORTO

Hoje é noite de São João.
Há festa, especialmente no Porto.
Aqui fica um hino à "Antiga Mui Nobre Sempre Leal Invicta Cidade do Porto".

sexta-feira, 21 de junho de 2013

"E PUR SI MUOVE"

No dia 22 de Junho de 1633 Galileo Galilei, já envelhecido e doente, abjurou, perante o tribunal do Santo Ofício, as suas convicções científicas, designadamente a teoria que defendia que a Terra e os restantes planetas giravam à volta do Sol, e que a Terra não era o centro do Universo, como defendia a tese de Aristóteles e Ptolomeu, e era consagrado pela Igreja Católica.
Acusado de heresia, o velho Galileo renegou, então, tudo o que dissera e escrevera.
A lenda diz que, no final do julgamento, terá pronunciado, em surdina, para que o Santo Ofício (actual Congregação para a Doutrina da Fé) não o ouvisse, a frase em epígrafe, que se pode traduzir como "E no entanto, ela move-se", aludindo à Terra.
A questão de o Sol ou a Terra serem o centro do Universo era muito mais que uma simples questão astronómica ou de Fé. Veja-se, ou leia-se, a excelente peça de Bertolt Brecht "Galileo Galilei".
O sistema aristotélico-ptolomaico era doutrina assente por mais de 1000 anos. Alterar esse conceito poderia conduzir, por exemplo, a questionar o direito "divino" dos reis, o direito "natural" a explorar servos da gleba, a propriedade "natural" de possuir escravos, a possibilidade "natural" de armar exércitos particulares, a inspiração "divina" de enviar Cruzadas contra os "infiéis", a existência "natural" de ricos e pobres.
No fundo, era colocar em causa todo um sistema de apropriação de bens, fossem eles fundiários ou fiduciários, meios de produção, e força de trabalho, para enriquecimento de muitos poucos.
Se a teoria vingasse, o que poderia suceder se a base da pirâmide começasse a questionar as bases em que a sociedade assentava?
Por isso, e como exemplo, Galileo foi condenado.
Só que ela, a sociedade, ao longo da História foi-se, de facto, movendo.
E continua mover-se.
Não falamos só deste país, com 23,5% da população considerada em situação de pobreza, com o PIB a representar 75% da média europeia (em 2010 era 80,3%...), em que o senhor de Belém diz que a acção do Estado deve ser substituída pela caridadezinha, em que o puto Maduro afirma que a chatice é "tudo ser contestado". É muito mais fácil ao poder despedir pessoas, cortar apoios sociais e alterar a lei da greve. Para a Terra continuar a ser o centro do Universo.
E mentir descaradamente e, pasme-se, sem contestação visível. Exemplo? Eis: O Sr. Coelho, e o puto Maduro têm o desplante de afirmar que o governo está a adiantar o subsídio de férias. Essa a afirmação. O facto é que os duodécimos que os funcionários do estado e empresas públicas têm vindo a receber respeitam ao subsídio de Natal. O de férias é atirado para Novembro (para skiarmos?). Não tapem a floresta com a árvore. Pela sua natureza, pela sua importância económica, pela sua própria designação, subsídio de férias e de Natal são realidades claramente distintas. Não nos anestesiem ou nos tomem por parvos!
Depois admirem-se de 15 de Setembro, greves de professores, ou greves gerais.
Mais do que a estafada dicotomia entre direita e esquerda, são a dignidade, respeito e auto-estima que se devem debater, e lutar por tal.
Tal como na Turquia, em que o movimento popular, de início assumindo uma vertente ecológico, subiu a outro mar, em o que se contesta é a pretensão de minar as bases em que a assenta a sociedade turca, orgulhosamente laica desde a revolução de Kemal Ataturk em 1923, através de uma subtil islamização. Desde a proibição de demonstrar afectos em pública, à proibição de ingestão de bebidas alcoólicas após as 22 horas. Acima de tudo, contesta-se a limitação dos direitos de uma sociedade liberal e as fundações laicas da República.
Tal como no Brasil, em que mais do que protestar contra o aumento dos transportes, se luta pela melhoria da qualidade destes, por mais e melhores hospitais e escolas, pela continuação do erradicar da pobreza, por uma mais racional distribuição das verbas públicas, comparado com os gastos astronómicos com o Mundial de futebol e os Jogos Olímpicos. 
Em qualquer dos casos, luta-se por uma melhor qualidade de vida, pela dignificação de cada um e de todos nós, pelo direito à felicidade, para que o Sol continue a brilhar e as flores a sorrirem-nos.
Para não dizer que não falei das flores...



   
    

21 DE JUNHO

Hoje, 21 de Junho, é um dia muito, muito especial. Para duas pessoas.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

SARAMAGO


Completaram-se ontem 3 anos sobre a morte de José Saramago.
Deixou-nos uma obra única, cheia de vida e de histórias dentro da História.
Deixou-nos uma Língua Portuguesa ( e não "acordês") muito mais rica, versátil e burilada, ele que foi um paciente artífice desse nosso bem supremo.
Deixou-nos, e está sempre presente, fazendo parte intríseca do ADN da nossa cultura, cultura que é a argamassa de um país, de um povo, sem a qual não há passado, nem futuro.
E que nos levanta do chão!


(Nota: o texto que se segue é uma pequena homenagem a José Saramago)


"LEVANTADOS DO CHÃO

*  A José Saramago

            Quando o teu avô pressentiu a companhia gelada da senhora de negro e gadanha nas mãos, saíu para fora de casa, andou pelo caminho e abraçou-se a uma árvore. Não sabia ler nem escrever, diziam. Mas sabia ler a pulsão fervilhante da vida da terra, da natureza, da força telúrica e seminal que emana de todos os seres vivos, dos animais, das plantas, e também das rochas, areias, águas, ares que nos rodeiam e nos enchem, pulsando ininterruptamente.
Não sabia escrever, mas nesse momento escreveu uma das mais belas odes ao sentido da existência, a uma devoção ao natural, que não necessita de grandes interpretações teológicas sobre questões de fé, ou de intermediários entre o humano e o que determina a vida de todos os dias.
Haverá algo que nos transmita tão bem a força da criação melhor do que uma árvore, que começa numa pequena e buliçosa semente, e se transforma num bom gigante de  múltiplos braços abertos para nos acolher.
Por estas e por outras, e por outros exemplos que todos os dias nos são dados por pessoas ditas “analfabetas”, as forças naturais influenciam-nos mais do que nós, os ditos “cultos”, podemos adivinhar. Leiam, por exemplo, “A um deus desconhecido” de John Steinbeck, se estiveres de acordo José.
E existe algum assunto que seja tabu ou não possa ser posto em causa? Só se forem aqueles que, por falta de argumentos, se receie que possam ser alvo de discussão, da qual, segundo os antigos, e sábios, nascia a luz.
A luz que traria a cultura, o conhecimento, a todos nós. Fruto proibido ? Talvez o seja, para os que ainda crêem que o homem não está preparado para todas as revelações. Como são cegos, deixando-se arrebanhar por outros cegos, como melhor se leria no “Ensaio sobre a cegueira”.
Mal sabias, José, vindo da Azinhaga do Ribatejo, serralheiro mecânico como primeira profissão, as andanças em que, felizmente para todos nós, te iriam meter.
O curioso é que, ao mexeres em assuntos em princípio tão delicados como a religião ou a morte, assuntos que muitos não querem ver tocados, porque, sabemo-lo,  é chato, para esses muitos, é que nada é absoluto, e o que ressalta, pelo menos para o escriba agora de serviço, é que a humanização dos actores principais das obras que a tua imaginação, sensibilidade e cultura nos iam oferecendo salta para a ribalta do leitor.
Então a negra, a cruel, a tirânica morte, afinal apaixona-se como qualquer mortal, despindo os trajes executórios com que a cobriam, e vestindo as roupagens de uma bela e sensual mulher, revelando, também, as fragilidades que qualquer simples mortal assume no dia a dia, de acordo com o teu livro “As intermitências da morte”, e onde as fronteiras entre o mal absoluto (a morte) e o bem, ou felicidade,  (o corpo da bela mulher) se confundem se interpenetram. Afinal, onde está fronteira entre o mal e o bem? Existirá? E o que parece horrível sê-lo-á tanto, como o que parece belo, também o será assim tão maravilhoso?  Ou dependerá, apenas, dos olhos e sentidos de quem vê, toca e sente? Ou de como o nosso cérebro descodifica as mensagens que lhe chegam de todos os lados ? Isto é, nada existe de absoluto, e tudo é relativo (o que nos leva, José, e se estiveres de acordo, a esse perturbante filme de Neil Jordan “Entrevista com o vampiro”, e ao mito de a bela e o monstro).

ANIVERSÁRIOS

Sir Paul McCartney, Macca para os amigos, figura incontornável da cultura mundial do nosso século e do século XX, co-responsável por uma das maiores, e mais significativas, transformações culturais e civilizacionais dos dias que vivemos, completou 71 anos.
Ontem.

E hoje completa 69 anos Chico Buarque de Holanda, músico, dramaturgo e escritor brasileiro, também ele nome incontornável da cultura do seu país, da América Latina e do Mundo. Umbilicalmente ligado às transformações democráticas do país de Jorge Amado, a música de Chico ainda hoje, de certeza, será ouvida nas ruas do imenso Brasil, nunca construído, sempre em construção.