Neste dia, em 1999, morria, aos 56 anos, um dos maiores desportistas portugueses de todos os tempos e, sem qualquer dúvida, o melhor jogador mundial de hóquei em patins de sempre.
Falar de António Livramento é, por exemplo, falar de Eusébio ou Maradona, Messi ou Cristiano Ronaldo, no futebol, Gareth Edwards, Dan Carter ou Jonah Lomu, no râguebi, Eddy Merckx no ciclismo, Michael Jordan, Larry Bird ou Kobe Bryant no basquetebol, Bjorn Borg, Pete Sampras ou Roger Federer no ténis.
Ou um traço de Picasso, um risco de Siza Vieira, um acorde de Beethoven, uma pirueta de Nureyev, um plano de Scorcese.
Como jogador, foi 209 vezes internacional pela Selecção Nacional, tendo marcado 425 golos, e sido campeãio europeu por 7 vezes (1961-18 anos-, 1963, 65, 67, 73, 75 e 77) e 3 vezes campeão do mundo (1962, 68 e 74).
Em 1962, frente à Argentina, pegou na bola atrás da baliza portuguesa, fintou os cinco jogadores argentinos (guarda-redes incluído), e marcou um golo único.
Fez uma dupla irrepetível com o também genial Fernando Adrião.
Ainda como jogador, foi 7 vezes campeão nacional pelo Benfica, tendo também vencido uma Taça de Portugal. Pelo Sporting, ganhou 1 campeonato, uma Taça e uma Taça dos Campeões Europeus (1977).
Além destes clubes, representou também o Hockey de Monza, o Amatori Lodi e o Banco Pinto & Sotto Mayor (secção de hóquei).
Como treinador, o seu palmarés também é impressionante: 2 campeonatos pelo Sporting e uma Taça; uma Taça das Taças europeia em 1981 e uma Taça CERS em 1984.
Pelo FC Porto, 1 campeonato e 1 Taça.
Enquanto seleccionador nacional, conquistou 3 Campeonatos da Europa (1987, 92 e 94) e 2 Mundiais (1982 e 1993).
António Livramento escreveu uma página única e brilhante nos nossos anais desportivos, e partiu demasiado cedo.
Quem teve o privilégio de o ver jogar não se esquece.
Ao hóquei em patins, ao desporto, a todos nós, faz-nos muita falta.
No dia 7/06/1963 era lançado um single com as músicas "Come On", de Chuck Berry (Lado A), e "I want to be loved", de Willie Dixon (Lado B).
O grupo que lançou o acetato dava pelo nome de The Rolling Stones, tinha dado os seus primeiros passos no Marquee Club, em Londres, a 12 de Julho de 1962, e era composto, na altura, por Brian Jones, Keith Richards, Bill Wyman, Charlie Watts, e um estudante da exclusiva London School of Economics, que dá pelo nome de Mick Jagger.
As bases do grupo tiveram o seu início numa conversa durante uma viagem de comboio entre Dartford (onde viviam) e Londres, travada entre Mick Jagger e Keith Richards.
Inicialmente também fez parte do grupo fundador o pianista Ian Stewart que, posteriormente, e pela sua completa falta de jeito em público, se tornou no gerente de palco, vindo a falecer em 1985, convertendo-se no "6º. Stone".
50 anos e 240 milhões de álbuns depois, os Stones podem ser classificados, a par dos The Beatles, como expoentes máximos da "Invasão Britânica" musical que, nos anos 60 do século passado, mudou irreversivelmente a nossa maneira de estar no mundo e de o perceber.
Como todo o bom grupo da altura, os "blues" foram a fonte inspiradora dos seus temas, e dos primeiros êxitos.
O primeiro álbum ("The Rolling Stones"), foi publicado em Junho de 1964, e do qual apenas constava uma música da dupla Jagger/Richards : "Tell Me (You're coming back)".
O primeiro grande (e histórico) êxito acontece em 1965, com o álbum "Out of Your Heads", praticamente só com músicas daquela dupla das quais, acima de todas "(I can´t get no) Satisfaction", que já faz parte da nossa história
O empresariado musical, perante o sucesso deste novo grupo, criou. desde logo, uma etiqueta para os caracterizar, verdadeiro chamariz do fruto proibido: "Deixaria a sua filha casar-se com um Rolling Stone?".
Com o lançamento de "After Math", em 15/04/66, os temas passam a ser mais longos e os arranjos mais elaborados (resposta a "Revolver" dos Beatles?). É desse album a "Paint it Black"
Com "Their Satanic Majesties Request" (8/11/1967), os Stones aventuram-se pelas águas do rock psicadélico e experimental (resposta a "Sgt. Pepper´s..." dos Beatles?). Diz o mito urbano que Mick Jagger terá pedido ao empresário dos Beatles os mesmos "drunfos" que dera a Lennon e a McCartney para produzirem o "Sgt. Pepper´s...".
Em 1968 lançam "Beggar´s Banquet", e a polémica estala.
Não tanto por "Street Fighting Man", inspirado numa manifestação em Londres contra a guerra no Vietnam, violentamente reprimida pela polícia (vd., neste blog, a crónica "MAIO DE 68: A IMAGINAÇÃO AO PODER", 2/05/2013).
Mas sim pela genial "Sympathy for the Devil", que valeu aos Stones diversos "mimos", entre os quais o de praticarem sinistros ritos satânicos.
Em 1969, o até aí considerado cérebro do grupo, Brian Jones, abandona a banda, sendo substituído por Mick Taylor, sendo meses depois encontrado morto na piscina de sua causa, suspeitando-se de homicídio ou suicídio por overdose. Segundo parece, a primeira tese terá tido acolhimento, face a uma confissão prestada à polícia em 1993.
No concerto de homenagem que os Stones lhe prestaram, no Hyde Park, perante cerca de 300.000 pessoas, Jagger leria o poema "Adonais", do poeta romântico inglês Percy Shelley.
Problemas, e graves, tiveram com o seu concerto em Altamont, na Califórna, confiando a segurança aos denominados Hell's Angels, que se limitaram a provocar violentamente os espectadores. Em resultado, no final do concerto contaram-se 4 mortos (os Stones só o souberam mais tarde, no hotel), Dai para a frente, os Stones baniram os Angels de todo e qualquer concerto nos Estados Unidos.
Nesse mesmo ano, publicam "Let it Bleed", o último com a colaboração de Brian Jones, que alguém terá dito que era uma piada cruel a "Let it Be" dos Beatles, embora este, já em gravação, só tenha sido oficialmente lançado 6 meses depois. "Let it Bleed" figura entre os 100 melhores discos de sempre, muito aclamado por público e crítica. Quem tenha visto o brilhante filme "Os Amigos de Alex" ("The Big Chill", 1983, Lawrence Kasdan), deve lembrar-se disto:
Com "Get your Ya-Ya´s Out", realizam o primeiro album ao vivo, no Madison Square Garden, Nova Iorque, enquanto, em 1971, Andy Warhol desenha a capa do album seguinte "Sticky Fingers"
Entretanto, parece que os rapazes tinham umas dívidazitas fiscais no Reino Unido pelo que, muito oportunamente "exilaram" para França (sorte a deles, olha se tivessem o Gaspar à perna!), onde Keith e a mulher foram acusados de tráfico de droga, pelo que tiveram de sair do país, iniciando um processo de desintoxicação.
Talvez com base nesta experiência, é lançado em 1972 "Exile on Main St.", com influências rock, soul, gospel, blues, country, e está considerado como um dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame, pela sua consistência, plasticidade e versatilidade.
Em 1975 sai Mick Taylor e entra Ronnie Wood.
Nesse mesmo ano, efectuam a grandiosa "Tour of the Americas", com concertos no Canadá e Estados Unidos, mas são proibidos no Brasil, México e Venezuela, devido à sua imagem de "desordeiros" e "drogados". Como mudariam os tempos.
Excepcionais "animais de palco", os Stones revolucionam os concertos, com os seus palcos gigantescos, infraestruturas cénicas, sonoras e visuais. Um espectáculo dos Stones é uma mistura mágica de canto, música, dança, mímica, teatro e cinema. Todas as artes em três horas.
Com "Some Girls", de 1978, e os seus temas rápidos e agressivos, inspiram-se no movimento punk.
Em 1981 lançam "Tatoo You", aclamado pela crítica e incluído entre os 500 melhores álbuns de todos os tempos, e iniciam nova e enorme digressão pelos EUA.
A banda passa por alguns desentendimentos entre os seus membros, particularmente Richards e Jagger, os criativos (alguém se lembra dos arrufos entre Lennon e McCartney?), começando a aparecer os seus trabalhos a solo, tal como sucederia com Ronnie Wood.
A reconciliação foi demorada mas aconteceu. Posteriormente, em 1989 lançariam "Steel Wheels" e iniciariam nova tournée, cuja primeira parte era assegurada por uns rapazes que davam pelo nome de Guns N´ Roses.
A partir de 1990, os Stones assumem a administração empresarial autónoma da banda e da marca "Rolling Stones". Ou não tivesse sido Jagger um brilhante aluno da London School of Economics, como já se disse.
Em 1993, sai Bill Wyman e entra, como contratado e não como integrante da banda, Darryl Jones.
A tournée (mais uma!) "Voodoo Lounge", do nome do novo album, inicia-se em Toronto a 19/7/94 e conclui-se em Roterdão a 30/8/95.
Refira-se, entretanto, que os Stones já passaram por Portugal por 5 vezes: 1990, 1995 e 2007 em Lisboa, Estádio de Alvalade; 2006 no Porto (Estádio do Dragão) e 2003 em Coimbra, no Estádio Municipal, com uma fabulosa primeira parte assegurada pelos Xutos e Pontapés.
Em 1995, homenageiam Bob Dylan, com a versão de "Like a Rolling Stone" no album "Stripped".
Bob Dylan que, aliás, colaboraria activamente no album e digressão de 1997 "Bridges of Babylon", com dois palcos e, finalmente, a ida ao Brasil. Mudam-se os tempos...
Em 2005 inspiram-se no rock and roll, blues e rhytm´n blues para produzirem "A Bigger Bang", geralmente bem aceite pelos críticos.
De novo no Brasil, no dia 18 de Fevereiro de 2006, em plena praia de Copacabana, montam o maior show da banda e um dos maiores concertos de rock de sempre, perante 1.500.000 espectadores. Geniais velhotes!
Em 2008 Martin Scorcese realiza um belissimo filme, "The Rolling Stones - Shine a Light", no qual se assiste a um espectáculo efectuado em Novembro de 2006 no Beacon Theatre, Nova Iorque.
Depois de 29 álbuns de estúdio, 16 álbuns de vídeo, 10 álbuns ao vivo, 31 álbuns de compilações, 107 singles e 57 vídeos musicais, "The Rolling Stones" marcam, talvez como só The Beatles, todo um panorama musical, e cultural, e de mentalidades, que explode nos anos 60 do século XX, e cujas ondas de choque, sempre renovadas, se sentem até hoje.
E atenção, que a 9 de Junho, em Montreal, Canadá, começa a digressão de 2013. E a 26 de Julho Mick Jagger completa 70 anos!
E o Sr. Silva voltou a perorar, agora sobre a anunciada greve de professores:
"Eu tenho alguma dificuldade em compreender bem como é que se podem atingir jovens, crianças, que estão a preparar o seu futuro".
De facto, o Venerando Chefe(?) do Estado(?), tem razão em soltar a sua lágrima de crocodilo.
As crianças, os jovens, são atingidos pela maior vaga de desemprego de que há memória, quando vêm os pais e as mães regressar a casa com o magro e incerto subsídio, graças a uma brutal política de que S.Exª. é o primeiro defensor.
As crianças e os jovens, com os salários familiares mitigados, assistem a aulas muitas vezes com fome, porque lhes faltou uma refeição, porque a política patrocinada por S.Exª. afirma que empobrecendo é que somos melhores.
Ô futuro destas crianças e jovens será negro, já que mesmo que consigam concluir a sua formação académica, sabem que o país não conta com eles, sendo forçados à emigração, empurrados diligentemente por um governo que S.Exª. acarinha.
E as crianças e os jovens são vítimas, tal como o país, do maior crime que se pode fazer a um povo e a uma nação: Roubar a esperança.
Para isso, V.Exª. e o governo que agasalha, têm muita competência.
E, francamente, para palhaços, têm mais competência os do Circo Cardinalli!
Por esta altura, há 69 anos, já teriam desembarcado nas cinco praias da Normandia previamente seleccionadas (com os nomes de código "Gold", "Juno", "Sword", "Omaha" e "Utah"), cerca de 156.000 soldados aliados, enquadrados por uma frota de 6.939 navios (que os nazis diziam ser impossível reunir), apanhando quase de surpresa a Wehrmacht, que, ainda durante o dia, pensava ser o local de desembarque o Pas-de-Calais, iniciando aquilo que seria o crepúsculo do paranóico e criminoso "Reich de 1.000 anos", e a libertação dos povos europeus.
Honremos, sempre, a sua memória.
A designada Operação Overlord, de 6 de Junho de 1944, foi a maior e mais complexa operação militar da história.
Cuidadosamente preparada durante cerca de dois anos, permitiu, até 11 de Junho, colocar em terra 326.000 soldados, 54.000 veículos e 104.000 toneladas de material diverso e libertar a primeira localidade francesa (Sainte Mère-Église).
Durante a madrugada, 23.500 páraqueditas, designadamente ingleses e americanos, desceram atrás das linhas inimigas, defendendo pontes, cruzamentos, vias de comunicação, enquanto, nos dias anteriores, a Resistência francesa desarticulava linhas ferroviárias, comboios de abastecimento, depósitos de armas, no sentido de facilitar a movimentação das tropas aliadas.
Se o desembarque, nalgumas praias foi quase um passeio, noutras, nomeadamente em Omaha, houve que enfrentar inesperada oposição alemã, deixando os americanos cerca de 2.500 mortos nessa praia, do total de 4.414 soldados aliados abatidos em combate.
Ficou conhecida como "Omaha A Sangrenta", e foi dramaticamente filmada por Steven Spielberg em "Saving Private Ryan" ("O Resgate do Soldado Ryan"), de 1998, com os 27 minutos iniciais mais arrepiantes do cinema
Sugere-se, a quem um dia visitar estes solos sagrados, uma deslocação demorada ao cemitério americano de Colleville-sur-Mer/Saint Laurent-sur-Mer, sobranceiro à praia de Omaha, onde repousam 9.386 soldados mortos durante toda a campanha da Normandia.
A partir desta dia único ("O dia mais longo", também título de um filme-quase-reportagem de 1962, realizado por Ken Annakin, Andrew Morton e Bernhard Wicki), os exércitos aliados iniciaram a sua progressão pela França, Holanda, Bélgica, até ao coração da Alemanha, onde se encontraram com as tropas do Exército Vermelho que, rebentada a bolsa de Estalinegrado, no início de 1943, como rolo compressor, atravessou a União Soviética, Polónia, Roménia, Checoslováquia, Hungria e Alemanha.
Quando se fala no chamado Dia-D, referem-se amiúde os soldados americanos e britânicos.
Mas havia mais. Havia muitos outros soldados nas fileiras aliadas
Da Austrália. Da Nova Zelândia. Do Canadá. Da Polónia. Da França Livre. Da Checoslováquia. Da Bélgica. Da Holanda. E da Grécia, pátria moral e espiritual do nosso velho continente.
A Europa reerguer-se-ia, lentamente, das ruínas e dos massacres da barbárie nazi.
Construiria, privilegiando a paz e a reconciliação, uma União que, mais do que países, se desejaria de povos.
Seria cooperante.
Seria tolerante.
Seria aberta.
Seria solidária.
Seria...
Ao contemplarmos a triste Europa de hoje, subscrevemos as palavras de um deputado britânico, no Parlamento Europeu:
"Não foi para isto que os nossos avós morreram nas praias da Normandia".
Vamos fixando este nome, pela sua estatura moral e intelectual, acima de qualquer capelinha, jogos de interesses ou reuniões da terceira idade: António Sampaio da Nóvoa.
Neste dia, todos os dias, todas a horas, todos os minutos, todos os segundos, em todas as partes do Mundo, as crianças sejam sempre as nossas Meninas e os nossos Meninos de ouro!