quinta-feira, 4 de abril de 2013

WE SHALL OVERCOME

A 4 de Abril de 1968, era assassinado em Memphis, Tennesse, o prémio Nobel da Paz de 1964, Martin Luther King Jr.
Luther King é mais um daqueles marcos da Humanidade que nos faz sentir orgulhosos de o termos como contemporâneo.
Denodadamente, e sempre apelando à não violência, defendeu, com a própria vida, o direito dos negros americanos à cidadania e ao usufruto dos seus direitos civis, questionando, também, a legitimidade da intervenção americana no Vietnam e o pesado preço que a juventude (negra e branca) pagava.
Desde as marchas e protestos, em Montgomery, Alabama, pelo direito a transporte público para todos (uma negra, Rosa Parks, fora presa em 1955 por se recusar a sentar nos lugares traseiros de um autocarro), até à grande manifestação de 1963 em Washington, onde pronunciou o célebre discurso "I have a dream" (vd. post de 21/03/13 - I HAVE A DREAM), Luther King percorreu um longo caminho na luta pela igualdade e dignidade, que continuou até ser assassinado.
"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.", fica como um paradigma do seu pensamento.  
E ouça-se a canção-hino do movimento pelos direitods civis, "We Shall Overcome", na versão do enorme Louis Armstrong:

 

CAPITÃO DE ABRIL

Fernando Salgueiro Maia faleceu a 4 de Abril de 1992.
Fica para a história, além do muito que fez, como o exemplo dos integrantes do Movimento das Forças Armadas que recusaram medalhas, honrarias, promoções, colocações bem remuneradas.
Cumpriu, com êxito e brilhantismo, a sua missão e retirou-se com a mesma discrição com que subiu à ribalta.
O poder venal não lhe perdoou a postura vertical e demorou anos a conceder à viúva a pensão a que tinha direito, por serviços relevantes prestados à Pátria por Salgueiro Maia.
Recorda-se a famosa frase proferida na parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, perante os recrutas perfilados, na madrugada de 25 de Abril:

"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!"

Nenhum ficou para trás!

E fica-nos a recordação, num poema de Manuel Alegre:


Salgueiro Maia

Ficaste na pureza inicial
do gesto que liberta e se desprende
havia em ti o símbolo e o sinal
havia em ti o herói que não se rende.

Outros jogaram o jogo viciado
para ti nem poder nem a sua regra
conquistador do sonho inconquistado
havia em ti o herói que não se integra.

Por isso ficarás como quem vem
dar outro rosto ao rosto da cidade
Diz-se o teu nome e sais de Santarém
trazendo a espada e a flor da liberdade.


Salgueiro Maia, em pleno 25 de Abril de 1974

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A LISTA DE SOUSA MENDES

A 3 de Abril de 1954 morria em Lisboa, em condições de extrema pobreza, uma das maiores figuras da resistência na 2ª. Guerra Mundial: Aristides de Sousa Mendes, nascido a 19/07/1885 em Cabanas de Viriato.
Aristides estava colocado em Bordéus, como Cônsul-Geral quando eclodiu o conflito.
Ao arrepio das ordens de Salazar, que exigira a todos os consulados e embaixadas a recusa de vistos de entrada em Portugal a "...estrangeiros de nacionalidade indefinida, contestada ou em litígio; os apátridas; os judeus, quer tenham sido expulsos do seu país de origem ou do país de onde são cidadãos...", o cônsul, de acordo com a sua consciência, mau grado as ameaças, e com a ajuda de filhos, sobrinhos e amigos, afirmando que "A partir de agora, darei vistos a toda a gente, já não há nacionalidades, raça ou religião", concede vistos a mais de 30.000 refugiados, dos quais 10.000 judeus, com início a 16/06/1940 em Bordéus, e terminando a 23/06/1940 em Hendaye, passando também por Bayonne.
Salazar demite-o a 23/06.
A 8/07/1940 regressa a Lisboa, sendo-lhe cortado metade do salário, passando depois à reforma, é-lhe retirada a licença para exercer advocacia e, até, a carta de condução.
Sobrevive, é o termo, graças ao apoio da comunidade judaica em Lisboa, que lhe paga também os estudos dos filhos. Dois deles desembarcarão, a 6/06/1944 na Normandia.
Morre no hospital dos franciscanos, tendo já vendido  todos os seus bens após a morte da esposa.
Não tendo fato próprio, foi enterrado com o hábito dos franciscanos.
Sousa Mendes resgatou para a vida 30.000 pessoas, muito mais que os 1,200 de Oskar Schindler, que passou para o cinema ("A Lista de Schindler", Steven Spielberg, 1993).
Se é bem verdade que "quem salva uma vida, salva o mundo" (ditado judaico), a obra e a vida de Aristides de Sousa Mendes merecia muito mais que as homenagens que, postumamente lhe foram feitas, com justiça e que só a democracia permitiria.
Não vamos pedir a Spielberg para passar a história para o cinema mas, pelo menos, até porque não seria assim tão caro, porque não restaurar a sua casa de Cabanas de Viriato, instalando um museu do Holocausto, interactivo, para memória perpétua desse vulto maior da nossa História.
Aristides Sousa Mendes merece-o. E merece todos os dias.
Até ao dia em que ninguém, em qualquer canto do mundo,  seja perseguido pelas suas ideias, posição social, habilitações, raça ou credo.
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/51/Aristides20I.jpg

 

PARA LEMBRAR

Ontem, dia 2 de Abril, cumpriram-se 37 anos sobre a aprovação, na Assembleia Constituinte, da Constituição da República Portuguesa, a qual sofreu, ao longo dos anos, e como legalmente previsto, diversas revisões que, no entanto, nunca alteraram o corpo e o espírito do documento que é, convém recordar aos distraídos, quer por distracção quer por premeditação, a Lei Fundamental do país.
O mesmo é dizer que todas as leis e decreto-leis, quer tenham origem no Governo ou na Assembleia da República, têm de se sujeitar às normas e regras constantes do texto constitucional, o que convém lembrar, sempre.
Como bem lembrou Pinto Monteiro, são os governos e os parlamentos que têm de se submeter à constituição, e não esta que tem de se moldar a uma maioria conjuntural.
Assim, por muito que custe a certos "entendidos", quer sejam os cómicos Henrique Raposo e Camilo Lourenço, ou os incompetentes como Jorge Moreira da Silva, o Orçamento, que é uma lei aprovada na Assembleia da República, terá, como todas as outras, que respeitar o escopo constitucional.
É perfeitamente óbvio que não compete aos juízes do Tribunal Constitucional, ou a quem solicitou a  fiscalização por este (Cavaco Silva, por exemplo), encontrar soluções alternativas caso certas normas orçamentais sejam consideradas contrárias à Constituição. Quem elaborou o orçamento é que tinha a estrita obrigação de respeitar a Lei Fundamental, para mais após a decisão de 2012 do Tribunal, e, no caso de algumas normas ali contidas serem declaradas inconstitucionais, encontrar as necessárias alternativas.
É por isso que qualquer responsável, até da mercearia da esquina, sabe que, para além de elaborar o Plano A, é indispensável ter, em caso de contingência, um Plano B e um Plano C.
Fazer ilegítimas pressões sobre os juízes ou vir dizer que o Governo não tem Plano B é muito mais do que leviana irresponsabilidade.
É incompetência pura e simples.


 

terça-feira, 2 de abril de 2013

GUERRA DO ALECRIM E DA MANJERONA

O clima que, neste momento, se vive na península coreana, aparentemente, antecipa dias de muita tensão e de pré-guerra nuclear.
Mas será mesmo assim? Para além da inflamada retórica do Norte (que saudades das palavras de ordem, dos berros e dos murais do MRPP, não é verdade Durão Barroso?), da proclamada contenção do Sul, e da exibição dos biceps dos EUA, talvez a sonhar com imaginários Rambos e Terminators, tudo isto parece uma peça bem ensaiada, para afirmar a existência de uma nação que se auto-exilou, prestes a implodir, e que, deste modo, berra a sua independência.
Guerra por guerra, antes a do inesquecível Solnado...Um momento único e brilhante da stand up comedy em Portugal, antes de o ser. E num país, esse sim, a braços com uma guerra sem solução.



segunda-feira, 1 de abril de 2013

PHIL RAMONE

No passado dia 30/03 faleceu um dos maiores produtores musicais do nosso tempo: Phil Ramone.
Nascido em 1934, na África do Sul, estudou na célebre Julliard's School de Nova Iorque, distinguindo-se como violinista, compositor, engenheiro de som e, acima de tudo, produtor.
Com ele trabalharam, entre outros, Ray Charles, Bob Dylan, Paul Simon, Billy Joel, B.B. King, Elton John, Madonna, Paul Mc Cartney, Frank Sinatra, Amy Winehouse, entre outros.
Ao longo da sua carreira, conquistou 15 Grammy's.
Um deles, em 1976, foi o de produtor do melhor disco do ano de 1975, Still crazy after all these years, de Paul Simon, o icónico poeta e compositor de Nova Iorque.
Aqui fica o tema que dá nome ao album:
 

VAMOS CONTAR MENTIRAS

Dia 1 de Abril é o chamado dia das Mentiras, tradição que, segundo algumas fontes, terá começado em França, no século XVI, com a adopção do calendário gregoriano (até aí, os anos começavam, não a 1 de Janeiro, mas perto do equinócio da primavera, o renascer da Natureza).
Mas não é dessa história que se vai falar.
Colocamos aos leitores meia dúzia de frases para apreciação, e descubram quais são as verdadeiras e as falsas:

1- A moção de censura do PS é um golpe constitucional (de PSD's confusos, especialmente a histérica Teresa Leal)
2- O Tribunal Constitucional está vinculado ao memorando assinado com a troika (Passos Coelho e acólitos)
3- Os juízes do Tribunal Constitucional têm que ter juizinho (coro da maioria)
4- Estou de acordo com o meu colega da acusação! (Telmo Correia, CDS, ao referir-se às declarações do colega Pires de Lima sobre a necessidade de uma remodelação governamental).
5- Vêm aí os russos!! Vêm aí os russos!! (peticionários histéricos ao verem Sócrates na RTP)-
6- Se os filhos da puta voassem não veríamos o sol (verso de uma canção do catalão Pi de La Serra)-

Então, há dificuldades? Pensem bem e...
Claro! A frase verdadeira é a 6.:
“Si els fills de puta volessin no veuríem mai el sol” – Pi de la Serra